segunda-feira, 9 de maio de 2011

A DESCENDENCIA DAVIDICA DO MESSIAS E A CONCEPÇÃO VIRGINAL DE CRISTO.


Jesus,  concebido por uma virgem e não por  um homem, descendente de Davi, era um problema para a profecia, que afirmava que  o Messias prometido, seria da descendência de Davi. Mesmo que Maria fosse desta  descendência, para os judeus, as mulheres não a transmitiam; esta se dava apenas pelo pai. Por isso as duas genealogias de Jesus, em Mateus e Lucas, mesmo mencionado Maria e outras mulheres, indicam Jesus como descendente de Davi apenas por José. Este é o motivo porque não faz parte do anuncio publico sobre Jesus,  a sua concepção por uma virgem. Só Mateus o faz e citando a profecia de Isaías 7,14; porém segundo a versão grega da Bíblia, que entendeu o termo hebraico que significa  “jovem”  como Virgem, em grego. Porém, se estas narrativas foram inseridas nos Evangelhos de Mateus e Lucas, explicam-se se já havia  uma tradição familiar e com fundamento histórico; caso não existisse  não teria sido incluído no Evangelho, pois colocaria  em risco a descendência  davidica de Cristo. E para  os judeus cristãos, era fundamental provar a descendência de Jesus de Davi e reforça-la, afirmando que os possíveis filhos de José, de um casamento anterior, eram seus irmãos, para que Jesus tivesse também esta descendência e não fosse acusado de ser filho de uma mulher infiel,  já que José não era seu pai biológico; lembrem-se de que até a ressurreição de Jesus,  José era tido por  verdadeiro pai de Jesus. Por isso a concepção virginal de Maria não aparece no anúncio publico sobre de Jesus, conforme Atos 2,30; 13,22-25; 2Tm 2,8; mas a sua descendência de Davi é fortemente afirmada. - Jesus é chamado de “Filho de Davi” (Mt.1:1; 9:27; 12:23; 15:22; 20:30,31; 21:9,15; Mc.10:47,48; Mc.12:35; Lc.18:38,39; 20:41; Rm 1.32 Tm. 2.8; At 2.30. )
            Outra questão que negaria a descendência davídica a Jesus, seria o fato de Maria ter outros filhos com José; o primogênito de José e seus irmãos ,  seriam  o verdadeiros  filhos  de Davi, e não Jesus, pois como já afirmado,  as mulheres não transmitiam a descendência. Os judeus desconheciam e nunca aceitariam uma paternidade adotiva ou meramente jurídica. Havia  a lei do leviriato, em que os filhos de um irmão morto sem filhos, casava com a cunhada e o primeiro filho deste era tido como filho do morto. Dt 25 5-10; cf. Mc 12, 18-19. Porém nada tem a ver com uma adoção jurídica nos termos modernos.  E entre  descendentes de Davi de sangue, e um outro  adotado, sem dúvida,  irão preferir o que veio pelo sangue. Além disto, suscitar dúvidas sobre a reputação de Maria e Jesus, já que este  seria tido como filho de pai desconhecido por seus inimigos.
            Em nenhuma passagem há referencia aos irmãos de Jesus como primos ou parentes próximos, embora o grego tenha tanto uma palavra como outra. Isto dificulta a identificação destes como parentes, ou seja, primos e tios; porque caso fossem parentes próximos  e não tido como irmãos (supostamente,  só por parte de Pai) haveria o uso desse termo como Paulo o fez em Cl  4,10 “Marcos, PRIMO  de Barnabé” e o mesmo Paulo em Gálatas 1, 19 diz “Tiago, IRMÃO de Jesus.” Por que não usou a palavra primo como   o fez em referência a Marcos e Barnabé? Isto só se explica se durante toda a vida publica de Jesus, Tiago e os outros irmãos, fossem considerados como irmãos de  sangue de Jesus por parte de José;  o próprio Jesus,  era tido por todos, inclusive seus apóstolos,  ( Jo 1,45) como o Filho de José.
            No entanto, em todo o Novo Testamento, Maria nunca é citada como a mãe dos irmãos de Jesus. Pelo contrário, as citações dão a entender que ela ficou viúva jovem com um único  filho, já que  o próprio Jesus a entregou ao discípulo amado (Jo 19, 27)  e não aos  seus irmãos, que estavam com ela  em oração,  conforme Atos 1,14. Concluindo, creio ser mais consistente, identificar estes irmãos,  como os  filhos de um casamento anterior de José, do que entende-los apenas como  parentes ou primos. Lembro também que a virgindade de José não é dogma e nem verdade de fé, embora tenha sido ensinada e defendida por muitos na Igreja. Mas não se impõe a nenhum católico, como a virgindade perene de Maria,  ou o fato desta ser a mãe,  unicamente de Jesus e de nenhum outro.       

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