sábado, 12 de novembro de 2011

A JUSTIFICAÇÃO E A SALVAÇÃO

Há que considerar dois aspectos em relação à nossa Salvação. O primeiro aspecto, denominada nas escrituras de justificação, significa passar do estado de pecado, para o de inocência e santidade. Também este chamado muitas vezes de salvação por Cristo e nas cartas de São Paulo. "Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado." Ev. De S. Marcos 15, 16. Hb. 9,28; 1Ts 5,9.  E o outro aspecto é da salvação das penas do inferno e participar da vida eterna. Uma vez inocentando e revestido da graça, tornar-se necessário renunciar ao mau e perseverar até o fim na pratica do bem. Este aspecto inclui o julgamento pessoal e universal ao fim dos tempos. A base para este julgamento é a pratica das obras. Obras que salvam os justificados e condenam os que não a praticam. Jesus ilustra o julgamento citando as obras de Misericórdia em são Mateus 25, 31-46. Por isto o mesmo Jesus afirma: "Quando vier o Filho do Homem retribuirá cada um segundo as suas obras." Ev. de S. Mateus 16, 27.
            Na justificação não contam as boas obras anteriores que praticamos. Todas estas obras feitas sob o pecado são nulas diante de Deus. Somo justificados unicamente pela fé, dada por Deus e pela Graça merecida por Nosso Senhor Jesus Cristo. Rm 3, 21-24. Porem, uma vez justificados, libertados do reino das trevas, e levados para o reino do Filho bem amado, é nossa obrigação obedecer à fé. E esta obediência se manifesta pela pratica das boas obras, pois todo aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz este peca. São Tiago 4, 17."Aquele pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." 
A fé por si mesma não produz as boas obras. Abre caminho para estas.  Jesus compara este dom inicial, (a fé) não merecido, com os talentos ou o  dinheiro que um rico deu aos seus servos ao partir. Na volta ele quis receber além do seu dinheiro, os juros, embora não tenha dito aos servos que fizesse o seu dinheiro render. E puniu aquele que se limitou apenas a guardar o talento para si mesmo e devolve-lo ao Senhor. Ev. de S. Mateus  25, 14-30.  Age assim todos os que dizem que foram salvos mediante só a fé em Cristo, mas se omitem em relação ao amor ao próximo, pois é pelo amor que praticamos todos os mandamentos, principalmente os que se relacionam ao bem dos outros. Romanos 13,10. São Paulo  também diz que o julgamento se fará de acordo com as obras e que tantos judeus como gregos serão julgados pelo que praticaram enquanto estavam no corpo. Rm 2, 6-11. Como sempre ensinou a Igreja, a fé é a adesão do intelecto e da vontade a uma verdade revelada. Temos no evangelho exemplo de um ato de fé na pergunta de Jesus ao cego de nascença "Sou eu que falo contigo. Crês nisto?" "Creio Senhor." Ev. de S. João 9, 35-38. E na resposta do beneficiado com o milagre. Creio Senhor.  Mas quem crer pode se omitir ou deixar que esta fé fique sem obras e desta forma ela acabe morrendo, pois a fé sem as obras é morta em si mesma. São Tiago 2,17.  Na verdade é muita mais evidente se provar a fé pelas obras do que sem estas. Embora muitos haja que sem crer em Cristo  sejam capazes de fazer algum bem. No entanto, estes literalmente, são conduzidos por Deus a fé em Cristo, como foi no caso de Cornélio Atos 10,1-8;  aqueles que sem culpa morrem ignorando a justificação pela morte de Cristo e não são batizados,  são salvos também por meio de Cristo, já que ele morreu por todos. Em resumo, estes são salvos, pela obediência à lei natural inscrita em seus corações. De modo que a lei da Graça não exclui a Graça da Lei e nem muito menos nos libera de fazer boas obras.  E também fica claro que sem obras anularíamos o julgamento de Deus, pois é da justiça dar a cada um conforme o seu comportamento. Ora se bastasse apenas a fé, Deus seria injusto para com aqueles que buscando a verdade, na sinceridade de seu coração fizeram o bem, pois não  poderiam salvar-se, se Deus não considerasse suas obras,  já que sem  culpa nunca ouviram falar de Cristo. O julgamento pelas obras alcança tantos os pagãos nascidos antes e durante a vida de Cristo, na terra, como os nascidos após esta. Por isto a doutrina correta da Igreja é esta: Somos justificados, ou inocentados do pecado, mediante a fé e  a graça (Justificação)  e  somos salvos das penas eternas no inferno  e julgados, conforme as nossas obras, feitas em estado de graça. (Terceiro Catecismo da doutrina Cristã de São Pio X..  Da Fé 860 a 864.)

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