terça-feira, 29 de novembro de 2011

A SINGULAR E PARADOXAL SANTIDADE DE JOANA D ´ARC


Não há entre os que foram declarados santos pela Igreja Católica, uma personalidade mais controversa e singular do que Joana d´Arc. Para a turma dos pacifistas e defensores da paz a qualquer preço, ela é um personagem, no mínimo estranho entre os santos. Como pôde dizer-se enviada para fazer a guerra, por aquele que disse, amai os vossos inimigos e fazei o bem a quem vos persegue? Para os inimigos da Igreja Católica, o que importa é unicamente o seu processo pela Inquisição e a morte dela como herege. Sua posterior canonização pela mesma Igreja, que tinha como membros os juízes que a condenaram, é para estes, uma prova incontestável de que a Igreja mesma, a Instituição Igreja, pode errar e enganar-se. Acredito que seja até mesmo um alivio para muitos padres e bispos, que Joana não tenha se tornado popular como santa, nem mesmo na França. Lá ela aparece muito mais como heroína Nacional; é mais vista como santa fora da França. É a única dentre os santos, em que o padre sempre vai ter que explicar porque ela foi queimada viva, por pessoas da Igreja. E desta forma os julgamentos da inquisição se tornam conhecidos. Podem ser incompreendidos e até escandalizar. Deve ser mesmo um alivio que Joana seja vista mais como heroína nacional ou um líder militar. Um site espanhol, O EX ORBE, que parece tradicionalista, fez uma critica ao discurso sobre Joana d´Arc do Papa Bento XVI em 26 de janeiro de 2011   Ver aqui: http://exorbe.blogspot.com/2011/01/juana-de-arco-secundum-benedictum.html   Admirou-se de o mesmo tê-la comparada a Catarina de Sena, santa e  doutora da Igreja. Afirmou que a guerra é ação indigna de um santo. Esqueceu que ao pensar desta forma, Davi, Moisés, Gideão e Josué, guerreiros por mandato de Deus, em conformidade com as Sagradas Escrituras, não podem ser considerados santos. Nem mesmo um São Bernardo e um São João de Capistrano, que pregaram cruzadas contra os islâmicos. Se esta concepção foi expressa num site tradicional, imagine em um de conteúdo pacifista.
            Há santos para nossa época, que estão revestidos de uma marca ecumênica. Santa Teresinha do Menino Jesus é a santinha de todos. Soube que há até um centro Holístico Santa Teresinha do Menino Jesus. Sim, também há centros espíritas com o nome de Joana d´Arc. Eles pertencem ao grupo dos que usam o nome de Joana para deixar bem conhecido o erro que atribuem a Igreja católica, que para estes, foi a responsável direta por sua morte. A pessoa de Joana d´Arc ficou como que presa a dois grupos: os que a rejeitam ou a ignoram por sua ação guerreia, e a dos que se aproveitam de sua memoria para denegrir a Idade Média e apontar o dedo para a Inquisição. Poucos são os que consegue enxerga-la além destas circunstancias. Certamente Joana d´Arc nunca teve vocação para o consenso. Difere muito de um São Francisco de Assis, aceito por todos e de todos os credos. Significativo  foi que, em Assis reuniram todas as religiões e seus lideres, porque o santo de Assis é o Santo da paz que o mundo prega  e do Amor e do amor que o mundo deseja. Um encontro destes jamais poderia ser em Ruan, cidade da França, onde Joana foi queimada viva, aos 19 anos. E ambos pertencem à mesma execrada e detestada Idade Média. Mas o próprio Jesus não deu como sinal de santidade e autenticidade do verdadeiro profeta ser difamado por todos?  E o mesmo Jesus, alertou que os falsos profetas teriam a simpatia e agradariam a maioria. Joana dentre todos os santos, foi quem suscitou e produz mais polemicas. Tanto dentro como fora da Igreja. E já em vida.
            É preciso ver além dos fatos para entender a santidade de Joana. É fundamental vê-la em si mesma diante de sua missão.  Nela é que resplandece dois aspectos da santidade que se tornam evidentes na vida ativa. Ela poderia muito bem ser definida como a santa da AÇÃO! E o que a motiva à ação? Glorias? Riquezas? Conquistas territoriais? Não! Apenas uma só vontade: A VONTADE DE DEUS. Só porque Deus manda é que ela admite ser a guerreira e deixa de ser a pastora. O mesmo Deus, que ordenou a Josué expulsar os cananeus, da Terra que prometera a Abraão e a seus descendentes, fala com Joana. É preciso fazer os ingleses voltarem para Terra que fora dada a eles. A outra palavra é FIDELIDADE. Perante homens da sua Igreja que a acusam de ser infiel à própria Igreja, Joana mantem a fé no que esta Igreja oferece por meio do destes homens, mesmo seus inimigos mortais, como ela mesma reconhece. É das mãos destes homens, que ela recebe no dia de sua morte, a absolvição de seus pecados e o Corpo do seu salvador. Na Igreja nos queimamos por insignificantes críticas. Ficamos afastados dos sacramentos por causa do destempero de certo padre ou do escanda-lo de outro. Mas Joana é o maior exemplo da fidelidade a Deus e a Igreja. Este é o segredo de sua santidade. Não é a guerra em si mesma. Ela nunca defendeu a guerra pela guerra. Esta foi um meio imposto pela dureza do coração dos seus inimigos ingleses, que não a viram como mensageira da vontade de Deus, e insistiram em fazer a guerra. Tal e qual o divórcio, tolerado por Moisés, por causa da dureza do coração dos Israelitas, segundo a defesa do próprio Jesus, o Filho de Deus. Este Moisés que rezava a Deus pedindo a vitória do povo de Israel contra os de Canaã.
            Se há no clero, quem tema, Joana d´Arc se tornar uma santa popular, poderia também procurar saber como esta popularidade seria benéfica para os fiéis. Seu amor a Santa Eucaristia e a missa numa língua que ela não entendia deveria ser apresentada como grande exemplo, de que entender a missa não é saber o que padre fala, mas saber a que a missa É. E isto Joana, a analfabeta e simples camponesa, sabia tanto sobre a missa quanto o mais estudado dos teólogos. Sim, Virgem Guerreira, que de uma forma geral, sempre é chamada de Joana d´Arc quando se se referem a ela (Quando vou procurar de propósito imagens dela, digo: "Tem imagem de SANTA Joana d´Arc? O atendente logo  responde,  de JOANA d´Arc, não.) enquanto que as outras sempre recebem o titulo de santa antes do nome. Joana ainda não foi conhecida. Não foi compreendida em seu tempo e ainda não o é hoje. Mas do conhecimento de sua pessoa, teríamos por graça de Deus, o verdadeiro fervor religioso pelo catolicismo e um fortíssimo  amor à Santa Igreja.  Igreja a quem ela amava e que desejava sustentar com todas as suas forças para o bem da nossa fé cristã. Não é esta, em linguagem simples e direta, a melhor definição da missão e razão de ser da Igreja? A defesa da fé  cristã contra as divisões, as heresias e  os caprichos individuais de seus membros? Se não fosse a Igreja Católica única, unida, com unidade de governo e doutrina, não teríamos a fé cristã hoje. Temos na Igreja a garantia dada por Jesus de que ele estaria com todos os seus apóstolos até o final dos tempos. Pois os que ficaram no lugar dos apóstolos, Cristo os reconhece, como se fossem os doze a quem ele escolheu.
Santa Joana d´Arc, Filha de Igreja, Rogai por nós!

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