quinta-feira, 14 de junho de 2012

A CONDENAÇÃO ETERNA NA PERSPECTIVA DA CORRUPÇÃO DO SER

Há muitas explicações para o inferno ou as penas eternas. Sem dúvida, Jesus falou sobre o inferno. E o mais importante: Jesus acreditava no inferno. Há duas formas de entender o inferno e as duas estão expressas nos Evangelhos e nos outros livros do Novo Testamento. A primeira forma, a mais comum, é compreender o inferno como um sentença judicial externa, para um individuo culpado. Uma punição! É  uma condenação do juiz para um réu culpado de algum crime. Esta é a que se impôs e também está presente no Evangelho e nas cartas do Apóstolo Paulo, o quando o mesmo diz que cada um de nós prestará contas a Deus e que seremos julgados conforme nossas obras. O pecador é punido por seus pecados. Que deva existir punição para os que fazem o mal ou perturbam a ordem publica, é consenso entre todos; mas a existência de penas eternas, de certa forma inúteis, porque não tem prazo determinado, repugna à mentalidade moderna. E é impossível conciliar esta sentença irrevogável com a misericórdia infinita de um Deus que é Amor. Por este motivo tantos teólogos rejeitam a eternidade das penas no inferno e outros até negam sua existência. Outra forma de explicar as pernas ternas é fazer do livre arbítrio humano ou sua liberdade, um poder tão absoluto que nem mesmo a misericórdia de Deus poderia mudar. O homem permanece no inferno porque quer, por ser livre.  E  Deus respeita sua escolha. Desta foram se diviniza a liberdade equiparando-a à onipotência de Deus. Por certo, Deus sendo o supremo bem, nada poderá resistir ao seu amor e em um  certo tempo, até o pecador mais endurecido, voltaria para ele porque nenhuma criatura racional resistiria  a atração de Deus sobre ela.. Pensar que Deus, justo e misericordioso deixaria um ser sofrer eternamente, sem procurar iluminá-lo distorce a própria natureza de Deus que é Amor absoluto. Então não há inferno? Sim,  há. Jesus não deixa a menor duvida nesta questão. Mas há outra forma de explica-lo para a humanidade de hoje e compreender porque este é eterno. Na idade antiga e média, em que os homens temiam os castigos corporais e o sofrimento estava presente pelas guerras, as condenações à morte,  as doenças; o inferno foi mostrado como um pena exterior, uma condenação judicial a quem transgredisse uma lei. 

Porém, Jesus sabendo que a madernidade iria questionar e até rejeitar penas eternas como sentença externa a um pecador, também explicou  o inferno como sendo  corrupção do Ser, ou da pessoa,  por causa do pecado. A chave para a compreensão do inferno está na existência do pecado e não tanto no fato de cometermos pecados. Se entendermos  o pecado, como sendo uma força capaz de alterar nossa natureza e para os cristãos, de  nos fazer deixar de sermos  filhos de Deus; pode se entender porque alguns seres racionais se tornam inaptos para a contemplação de Deus. Como disse Jesus, eles se tornam trevas. Jesus compara um ser que se corrompe em usa própria natureza  como:

1) O Joio semeado em meio ao trigo;
2)O peixe que não pode ser aproveitado;
3)O sal que se torna insípido e é jogado fora;
4) A figueira que apresenta folhas mas não tem frutos;
5) O galho que se separa da videira e murcha.
6) O homem que ganha o mundo inteiro mas arruina a si mesmo.

Sob este visão, o inferno nada mais é do que conseqüência natural do pecado. É a corrupção do um ser que pelos pecados vividos, vai se deteriorando e se torna  maligno. E como não pode ficar na presença de Deus, quem não suporta a luz, também não pode ficar junto a Deus quem não é mais filho de Deus, mas se fez filho do pai da mentira. O pecado atual e mortal vai aos poucos minando na pessoa a ação do Espírito. Até mesmo sem que esta pessoa perceba; esta fica toda escravizada ao mal, até chegar aos extremo de ser inapta para a Jerusalém celeste. No Apocalipse é expressa esta realidade quando se afirma que nela nada entrará de impuro; embora muitos que tenham, sido impuros nela estejam, porque se arrependeram ,deixaram suas obras pecaminosas e apelaram para a misericórdia de Deus.  Por este motivo, os maus podem salvar-se e os bons podem também se corromper em determinado período de sua vidas. Toda a chave para a compreensão destra terrível realidade, a da separação definitiva de Deus, está na comparação que Jesus fez do  pecado como sendo tão mortal e prejudicial, que seria melhor perder um membro do corpo a ficar todo inteiro e não haver mais possibilidade de salvação. Que ele expressa nas palavras "...se tua mão te leva a pecar, corta-a e joga fora porque é melhor ficar sem tua mão , do que todo inteiro, seres lançado na Geena de fogo; tal como um câncer que destrói todo o corpo e conduz à morte, assim é o pecado. Este é uma força que vai corrompendo aos poucos quem a ele se escraviza e faz do pecador um ser que não suporta a Luz perpetua. E Deus, como é Amor e não pode desfazer o que fez, não interfere neste processo, porque seria o mesmo que recriar outro ser. Seria alterar a natureza corrompida que este assumiu e interferir no livre curso dos acontecimentos, de modo que se Deus, embora tendo o poder para isto, interferisse, para mudar a natureza de uma pessoa corrompida, estaria como que dando a entender que foi um erro dele, criar seres racionais com a possibilidade de  se corromperem, até ao ponto de se tornarem inadequadas para a visão dele mesmo. Elas se fizeram trevas. Mesmo nesta situação terrível vislumbramos a sabedoria e misericórdia de Deus, deixando que estes  mesmos seres, permaneçam sendo o que se tornaram. Para que fique comprovado para todos, tanto  a gravidade do pecado, como a realidade de que fomos criados livres e livres até  à possibilidade, de nos fazermos, pelo pecado, trevas. Foi assim que Jesus comparou a corrupção do Ser pelo pecado. Se teu olho (a luz da razão) que há em ti se torna trevas, quão tenebrosas são estas trevas.

Acredito que seja esta o modo, como deveria se explicado, a realidade do inferno e suas penas eternas aos homens de hoje . Uma explicação que entende que pelo o pecado, o ser humano altera sua natureza, sua própria humanidade, se tornado por causa deste, irrecuperável depois desta vida. Da mesma forma  como é impossível recuperar o sal que não presta mais para salgar e por isto é jogando fora. A forma antiga, de mostra-lo como uma punição  legal , uma condenação semelhante a uma sentença de um juiz, embora também seja Bíblica não desperta mais nas pessoas de hoje  nenhum medo e ainda induz estas, a entenderem Deus como um ser cruel e vingativo, que criou seres livres para condena-los em virtude de não fazerem a sua vontade. Desobedecer à lei de Deus e fazer o mal é nos voltarmos contra nós mesmos. É nos tornarmos escravos do pecado, transformando nossa natureza  humana  numa natureza corrompida,  a tal ponto, que não há outra saída se não a separação eterna,  da Luz que é Deus  e para a qual fomos criados.

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