sábado, 31 de dezembro de 2011

DEUS DOS EXÉRCITOS E O DEUS DO AMOR


Eu diria que o senhor padre descobriu uma leitura adaptada do Antigo Testamento nesta questão. Possível só para o Cristão, mas que deixa em aberta a questão: mandou Deus ou não mandou fazer guerra aos cananeus? Não foi a Terra prometida tomada pela guerra? E ainda mais em que parte do Novo Testamento Jesus afirmou que Deus havia errado em tomar a terra prometida dos cananeus e dá-la aos judeus? Em nenhuma. Jesus era judeu e ele também aceitava que aquele povo e aquela terra era dom de Deus. Na verdade Jesus se diz o Filho desse Deus dos Judeus. "Aquele que dizeis que é o vosso Deus." E a Igreja confirma que sendo Jesus Deus ele como Deus ordenou a tomada da Terra prometida a força pela guerra. Nas antífonas do ó,  uma delas,  se refere a Jesus com o Deus que se manifesta na sarça ardente e fala com Moisés. Então acredito que a melhor leitura que se pode fazer do Antigo Testamento e a apartir da onipotência e principalmente da onisciência de Deus. Só Deus sabe o que é verdadeiramente o bem e verdadeiramente o mal. Os desígnios de Deus são desconhecidos e incompreendidos pelos  homens. Deus nunca é injusto porque só ele conhece o fim das causas por mais estranhas ou cruéis que nos pareçam. Alem disso, para cada natureza uma ação adequada. O povo do Antigo Testamenta  estava cercado de povos violentos e idolatras . Era necessário ser militante, forte e guerreiro, até para sobreviver. E também se fazia necessário mostrar poder, intervenção e força, para que estes acreditassem no único Deus verdadeiro Lembremos que se Israel houvesse poupado os povos pagãos, estaria sempre ameaçado de aderir a idolatria e até de ser extinto. Deus permitiu as guerras para evitar um mal maior do que esta e também porque soube tirar desta um bem muito maior. O triunfo do monoteísmo que venceria o politeísmo, através da fidelidade do povo judeu. E preparava todo o mundo para a fé em Cristo.
      O Deus do Antigo Testamento é o mesmo e único Deus e o Jesus do Novo Testamento é o mesmo Deus do Antigo. Em certas partes do Evangelho o mesmo é capaz de dizer: "Quanto àqueles que não me queriam para rei traze-os aqui e os degolai em minha presença." e também: "Ide malditos para o fogo eterno." Palavra dura, mas que exprimem a realidade da separação total do pecador de Deus. Talvez tenha por isso que a Igreja nunca condenou formalmente a guerra justa. E até mesmo incentivou a guerra em defesa da fé. Como Moises também orou pela vitória do povo judeu a Igreja orou pela vitória dos cruzados. Aliás se os cristãos fossem unidos na época da expansão muçulmana no século VII,  as cruzadas nem teriam acontecido porque estes teriam derrotados os muçulmanos logo no começo e não teriam perdido toda a Ásia menor e o norte da África, que era cristão. O escanda-lo maior não foi a Guerra contra infiéis ou pagãos. Foi guerra entre reinos cristãos. Reinos que adoravam o mesmo Cristo. Este foi o maior pecado da Cristandade. Infelizmente muito comum na época. Muitos santos até tentaram unir os briguentos cristãos contra o inimigo comum.

      Temos um grande exemplo do Deus dos exércitos atuando já no mundo cristão  na ação guerreira de Santa Joana d'Arc, que não temeu afirmar que fora enviada por DEUS para batalhar e por Deus receber a vitória. E a Igreja a canonizou, não por ser guerreira, poderia dizer, mas foi como guerreira que ele viveu a santidade. Como disse um escritor sobre ela. “E na guerra o trunfo do diabo, insinuou o Espirito de Deus”. Na verdade o Espirito de Deus sempre fez a guerra a toda forma de mal, de idolatria, de mentira e de opressão. Porque é o mesmo e único Deus. Deus do amor e da misericórdia, mas também o Deus dos exércitos.

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