terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O VERDADEIRO ANTICOMUNISTA NÃO É O CAPITALISTA



"E todos os cristãos tinha tudo em comum e ninguém considerava sua as propriedades que possuíam."
Atos 2, 44-48
            Os primeiros cristãos, não eram membros de congregações religiosas. Mas viviam a comunhão de bens, que hoje só é vivida nos ordens religiosas e mosteiros. Eles obedeciam ao que a fé determinava. Não devia haver apego aos bens matérias para quem se convertia a Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso doavam tudo, mesmo que em teoria não fosse obrigados. Mas eram moralmente obrigados a fazer assim. Tanto é verdade que Ananias e Safira temerem dar apenas uma parte dos seus bens e preferiram mentir a passar por mesquinhos perante a Igreja. Atos 4,32; 5, 1-2
            Há duas categorias com razões diferentes para ser anticomunistas: Os católicos e os capitalistas. Mas as razões entre os dois grupos são diferentes. O capitalista é anticomunista porque é apegado aos bens matérias. Absolutiza a propriedade privada e é indiferente a sorte dos que ficam na miséria. Acredita que há pobres porque estes são preguiçosos e não trabalharam para se tornarem ricos, com fosse possível viver dignamente com um salário mínimo e como se houvesse trabalho disponível  para todos. Os católicos fiéis são anticomunistas na mesma proporção em que são também anticapitalistas. O liberalismo econômico também foi condenado pelo papa Leão XIII  “ 87. ... Como não pode a unidade social basear-se na luta de classes, assim a reta ordem da economia não pode nascer da livre concorrência. Foi, com efeito, dela, como de fonte envenenada, que derivaram para a economia universal todos os erros da ciência econômica “individualista”; olvidando ou ignorando que a vida econômica é conjuntamente social e moral, julgou que a autoridade pública a devia deixar em plena liberdade, visto que a livre concorrência possuía princípio diretivo capaz de a reger mais perfeitamente que qualquer inteligência criada. Ora, a livre concorrência, ainda que dentro de certos limites seja justa e vantajosa, não pode de modo nenhum servir de norma reguladora à vida econômica.”(  Encíclica Libertas) e Pelo Papa Pio XI “109. ... A livre concorrência contida dentro de justos e razoáveis limites e mais ainda o poderio econômico devem estar efetivamente sujeitos à autoridade pública, em tudo o que é de sua alçada. Enfim, as instituições públicas adaptarão a sociedade inteira às exigências do bem comum, isto é, às regras da justiça; de onde necessariamente resultará que esta função tão importante da vida social qual é a atividade econômica, se encontrará por sua vez reconduzida a ordem sã e bem equilibrada.”
            Porque os verdadeiros católicos amam o irmão por amor a Cristo e não suportam que haja necessitados entre os irmãos na fé. Não absolutizam a propriedade privada pois esta tem uma função social  como o ensina a Doutrina social da Igreja e as encíclicas dos papas É pecado reter para si o que está sobrando ao rico e faltando aos que precisam. Ele sabe que a raiz de todos os males é amor ao dinheiro. Aceita as palavras de São Tiago   e teme o que este escreveu contra os ricos. São Tiago 5, 1-6. E creem no que Jesus disse: E disse ao povo: "Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui."  Lucas 12,15. Ele rejeita o comunismo  porque este defende a socialização dos bens e igualdade econômica. Sabemos que o comunismo só defende isto em teoria mas na pratica trouxe só conseguiu fazer do  Estado Rico e intolerante. Não! Mas porque este o faz através do ódio e da força. E o faz colocando no centro o homem e desprezando Deus, de quem o homem é a imagem e semelhança.  Retira do ser humano  o direito de discordar e estabelece a ditadura de Estado. Assim como o capitalismo faz do dinheiro Deus o comunismo faz do Estado Deus. E isto é idolatria. Para o cristão o fundamento para a comunhão de bens é a caridade que nasce do amor a Cristo. Infelizmente, nem todos os que creem são capazes de fazer como os primeiros cristãos faziam. Colocavam tudo em comum. Atos 4,32
            Na Idade Média o Estado cristão recebeu poder da Igreja para executar hereges e defender a civilização cristã das seitas heréticas. Até nomear bispos e consentir na aplicação dos documentos pontifícios. O padroado que vigorou no Brasil durante o Império permitia estas interferencias do Estado na organização da Igreja no Brasil. Por isto se faz necessário que a Igreja induza ao Estado cristão a criar condições para aplicação da justiça econômica. Porque se formos esperar apenas pela boa vontade dos ricos, estes ficarão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Também é justo e correto que o Estado cristão possa ter direito de regular a economia em favor dos  pobres possibilitando uma justa distribuição de renda. E isto não é comunismo. Em virtude de que nem todos os cristãos vivem a fé em plenitude faz-se necessário que se crie um politica econômica em conformidade com a caridade. O Estado deveria sim executar as seguintes ações: Taxar as grandes fortunas com maiores impostos; determinar a participação dos operários no lucro das empresas, já que estes são obtidos com o trabalho dos operários; estabelecer metas de produtividade para as grandes propriedades agrícolas e desapropria-las se estas não fossem alcançadas.Claro respeitando as condições da natureza em relação às propriedades agrícolas  e o direito a defesa dos proprietários; Limitar a cobrança de Juros a um determinado valor; incentivar com isenção de alguns impostos, empresas que ajudam obras sociais, dentre outras. Sintetizando, criar  condições para que houvesse a eliminação da miséria e que todos tivessem  o necessário para a viver conforme a dignidade cristã,  de Filho de Deus, redimido por Cristo.
            Se um anticomunista defende o catolicismo só porque o mesmo é anticomunista e contra toda forma de socialização de bens, ele é apenas anticomunista. Seus motivos são capitalistas tanto como os do  capitalista que não tem fé. Mas se ele é anticomunista porque ver no amor e na caridade, a solução para o problema da miséria; porque ama o pobre e reconhece que o capitalismo, que endeusa o dinheiro e o consumo, não é a opção cristã contra o o comunismo, este é realmente católico e por ser católico é anticomunista. Tal e qual os apóstolos e cristãos da Igreja Católica. Aqueles que tinham tudo em comum. Sem dúvida, o comunismo é fruto do capitalismo selvagem, que transforma os homens em meros objetos de consumo. Foi  o fruto da reação dos que não tem fé, contra as terríveis injustiças sociais. A solução  contra ele é a fé cristã que prega a partilha, a  sobriedade e a rejeição a toda forma de avareza.
Prof. Francisco Silva de Castro
13/12/011

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