segunda-feira, 5 de março de 2012

CATOLICISMO, ECONOMIA E POLITICA



       A Igreja por meio de alguns de seus filhos sempre teve preferência pelos pobres. Os santos padres denunciavam a ganancia dos ricos. Encontramos no Evangelho Jesus próximo das pessoas pobres. E não apenas só dos pecadores. As bem-aventuranças em Lucas são radicais em relação aos ricos.(Lucas 6, 24-26) Mas Jesus nunca excluiu um rico de sua presença. Vai à casa de Simão,(Lucas 7,36)para um almoço e não hesita em se convidar a ficar na casa de Zaqueu, o burguês opressor da época. (Lucas 19,2)Para Jesus,  pobres e ricos, ambos precisam se converter, porque todos são pecadores e carentes da misericórdia de Deus.
Os bispos no Brasil e América Latina não estão  errados em defender e procurar amenizar o sofrimento dos pobres. Erram os teólogos, quando utilizam a visão marxista da história, condenada na Instrução sobre a Teologia da Libertação. Não se pode entender o mundo como uma luta entre os homens por questões unicamente econômicas. Esta visão é reducionista e não contempla toda a natureza humana. Ver a história como um eterno conflito entre Opressor contra oprimido; operário contra patrão; rico contra pobre; homem contra mulher e atualmente hétero contra gay. A única e eterna luta pertinente à natureza humana é contra o pecado que nos marcou e nos induz a avareza, e à exploração do outro em todos os aspectos. A Visão materialista da história foi desmentida na pratica, quando nas duas guerras mundiais, operários se uniram para lutar contra os alemães e na segunda contra Hitler. Lado a  lado com filhos dos burgueses.
Os Santos padres sempre condenaram a posse indiferente das riquezas. São João Crisóstomo relata: "Graças a quantas lágrimas aquele edifico foi construído? Quantos órfãos ficaram sem roupas? Quantas viúvas foram por causa disto prejudicadas? E quem sabe, quantos operários perderam os salários(...) e quem cuidará dos pobres? Quem pensará neles? Talvez os funcionários? Mas eles estão ocupados pelo tribunal, pelos processos. Talvez sua mulher Mas ela está sonhando com seu enfeite, seu ouro. E seu filho? Seu filho só pensa somente na herança, no testamento e nas riquezas que passarão a ser suas." São João Crisóstomo, sermão sobre o salmo 48. E também no comentário a 1 Carta a Timóteo capitulo 4: "No início Deus não criou a um rico e a outro pobre. e não fez com que uns descobrissem tesouros, ao passo que escondeu esses para os outros. Deus a todos a mesma terra para ser cultivada. (...) A natureza nos predispõe mais para a posse comum do que para a posse privada." Palavras muito próximas dos teólogos da libertação. Mas não são ideológicas. Não defendem um partido único e uma opressão igualitária feita à força. São Palavras que nasceram da fé em Deus; da convicção de que como filhos de Deus têm a mesma dignidade e o direito à comida casa e saúde. E são Roberto Belarmino em pleno período da Renascença denuncia os ricos avarentos com o mesmo rigor de São Tiago em sua carta.
"Além de tudo que já foi dito, eu devo acrescentar uma refutação a certo erro muito prevalente entre os ricos deste mundo, que muito os afasta de uma vida correta e uma boa morte. O erro consiste nisto: o rico supõe que toda riqueza que possui é absolutamente sua propriedade, se justamente adquirida; e, portanto, podem legalmente gastá-la ou desperdiça-la e ninguém pode lhes dizer: “Por que você fez isto”? Por que se vestir tão ricamente? Por que organizar festas tão suntuosas? Por que gastar tão prodigamente com teus cachorros e falcões? Por que gastar tanto em jogos e outros prazeres semelhantes”. E eles respondem: “O que é isto para ti? Não é correto eu gastar o meu dinheiro para fazer aquilo que eu desejar”?” Este erro é sem dúvida, mais grave e pernicioso: considerar que os ricos são mestres das suas propriedades com relação aos demais homens;”
A Igreja sempre defendeu os pobres, mas oficialmente apenas como destinatários da caridade opcional  dos ricos e não como portadores de direitos iguais; não impôs aos estados da cristandade obrigações para diminuir a pobreza.  No entanto, concedeu a reis e imperadores o direito de criar dioceses e indicar candidatos a bispos e de executar como criminosos civis os hereges, por meio da inquisição.
Se a Rerum Novarum (15, de maio de 1891) houvesse sido publicada bem antes do manifesto comunista (publicado em 21 de fevereiro de 1848), 43 anos depois, é que a Igreja se pronuncia oficialmente em defesa dos operários;   se houvesse feito isto antes, quando da alarmante exploração dos operários nas fabricas, provavelmente  o comunismo ateu não houvesse feito tanto estrago. Só após a publicação do manifesto comunista e com a divulgação e adesão das teorias marxistas,  que levavam aos explorados uma certa esperança de melhor igualdade,  social foi que o magistério da Igreja pronunciou-se oficialmente. E por causa desta demora e do esquecimento das denuncias dos santos padres contra a avareza e indiferença de cristãos ricos, que se dizem católicos, surgiram as teologias marxistas que colocam o pobre, apenas por ser pobre, como justo e santo, como se estes também não fossem pecadores e os ricos como demônios, apenas por possuírem bens como se estes não tivessem nenhuma virtude. E não pelo mau uso que fazem de suas riquezas e apego a estas.
Não precisamos de Marx e sua metodologia de analise histórica sobre a economia; não precisamos de José Comblin e nem de Bofes. Para defender os pobres e denunciar os ricos cristãos, que não fazem bom uso de suas riquezas, sempre tivemos o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e o testemunho dos santos padres e de grandes santos.


Um comentário:

  1. sou estudante de economia, e durante uma leitura refleti sobre certos aspectos econômicos e me questionei perante minha Fé, então encontrei esse texto que me ajudou a abrir minha mente e confortar meu coração... incrível, parabens!

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