sábado, 6 de outubro de 2012

O CELIBATO COMO SINAL DE CONSAGRAÇÃO A DEUS



         O celibato não é exclusivo do clero. Na verdade, ele surgiu entre os monges e eremitas na Idade Antiga. O celibato clerical é posterior ao celibato religioso. São Paulo, quando diz, que o solteiro cuida das coisas do Senhor, não se refere aos bispos e padres, mas a todos os batizados que queiram se dedicar de corpo e alma a Cristo. (1cor 7,32) É preciso entender que o sacramento da ordem, não é invalidado se concedido a um homem casado, caso fosse abolido o celibato obrigatório para ordenar-se; porque o celibato não é matéria e nem forma do sacramento da ordem. Há que se valorizar  celibato por causa de Cristo e não por causa do sacramento da ordem, pois são distintos; se não  o fosse, não se compreenderia o motivo de haver homens celibatários, que não desejam serem padres. E nem a existência dos monges que não eram padres  e dos religiosos não ordenados. São Bento e São Francisco de Assis, eram religiosos e celibatários, mas nunca foram ordenados.
         É possível hoje viver a castidade consagrada  reconhecida pela Igreja, nos Institutos de Vida Secular Consagrada. De certa forma, estes Institutos, também masculinos, embora muito poucos, ajudam a compreender o Celibato, com valor em si mesmo, sem o status do estado clerical. Acredito que  pouca procura pelo estado celibatário consagrado, desvinculado do sacramento da ordem, se dá pelo fato, de que o celibato só é entendido e até mesmo aceito, se o rapaz ou homem  desejar ser padre. Na verdade, muitos se perguntam “Se não quis casar porque não ser padre?” Esquecem que a amor pelo Reino dos céus, a dedicação exclusiva a Cristo, não fica restrita a um ministério, ou à ordenação sacerdotal. Quando São Paulo diz: “... o solteiro procura cuidar das coisas do Senhor.” (1Cor 7,32) Ele não está dizendo isto referindo-se ao bispo ou ao presbítero; indica o homem solteiro, que decidiu permanecer solteiro, por amor aos interesse de Cristo, no mundo e para anunciar a nova vida ou o novo mundo, em que as relações afetivas sexuais estão superadas, porque os homens não terão mais mulheres e estas não terão mais maridos. (Lucas 20,34-36)
         O celibato é tão valioso em si mesmo, que veio ajuntar-se posteriormente ao ministério ordenado e enriquece-lo; porque, nada mais conveniente, do que aquele que dentre os irmãos que assumiu o pastoreio do rebanho, se dedicar apenas a este e não dividir o amor ao Reino de Deus com interesses de sua própria família.
Francisco Silva de Castro

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