quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Cristianismo e Modernidade




         Sem  a crença na vida futura, a Vida eterna, não há como conciliar o cristianismo como a fé de Redenção ou salvação. Só em Cristo Jesus, em sua própria pessoa e obra, encontramos sentido para o sofrimento e a morte. Porém, a mentalidade moderna não entende mais a morte como punição pelo pecado. Compreendem-na como um processo natural a que estão sujeitos todos os seres vivos. Mesmo os  que em sua consciência, abominem a morte e tudo façam para nunca lembrar dela. Perante esta mentalidade, importa viver aproveitando tudo o que este mundo possa oferecer: Poder,  riquezas e prazer.
         Esta concepção hedonista nasceu com as descobertas tecnológicas e o desgaste da doutrina cristã do céu e do inferno. Se para o homem medieval valia a pena  tudo renunciar para escapar das penas eternas do inferno, para o homem moderno vale tudo para amenizar ou esconder  sofrimento e esquecer sal mortalidade. Vale usufruir de todos os prazeres possíveis. Mas  nunca o mesmo, poderá livrar-se da fatalidade da morte. Não há dinheiro no mundo que compre a isenção da própria morte afirma o salmo  E quando esta se manifesta na forma de uma doença incurável e terrível,  um câncer, os que viverem só para este mundo, tentam negar o fato e buscam na morte a quem sempre negaram ou não deram a mínima importância, a solução para uma vida que segundo este não vale mais a pena. Exemplo marcante foi apresentado na minissérie global O Canto da Sereia. A jovem  cantora, ao descobrir que estava com câncer, obrigou um amigo  a mata-la por piedade, porque não queria que a vissem sem cabelo, magra e sofrendo numa cama. E ao final  o narrador ainda diz que tal pessoa morreu vitoriosa. Pois é esta a mentalidade moderna. Tudo é preciso fazer para escapar de um fenômeno tão natural, como eles dizem, que é a morte. Até mesmo morrer.
         A verdade é que um ser racional e autoconsciente, que é o homem, abomina a própria morte e nunca aceitará como um fenômeno natural. Mesmo que materialmente esta o seja.  Ninguém quer morrer porque é natural morrer. Só deseja a morte quem não acredita mais que vale apena a viver.Perante a sua consciência que é pensante e que entende, a morte nunca será assumida como um processo natural porque o homem  não é um planta e nem um animal que não pensa, não elabora perguntas do tipo para que?  Por quê? Se a morte pessoal, a morte total é tão natural, porque nascer e enfrentar tantas limitações para aprender a falar, a ler, a escrever, a entender o mundo? Como diz o Arnaldo Antunes, demora  tanto para nascer, tem que mamar andar, aprender, para de uma hora para outra morrer.” Estra é a realidade que todos apagam do dia de sua vida. Mas nunca poderão fugir dela. Esta chegará para o rico e o miserável. Para o sábio e o louco. 
         O Cristianismo não é a religião da morte.  Se os homens modernos abominam a ideia de um inferno eterno, esquecem que o cristianismo prega a possibilidade de não ir para o inferno. Nenhum mortal voltava do Hades na mitologia Grega. No cristianismo qualquer mortal poderá se livrar para sempre do  Hades e qualquer outro inferno que houver. Mas também não é a religião da fuga da morte. É a unica religião que encarou a morte de frente. Afinal, Jesus mesmo disse que veio para dar a sua vida. Veio para um batismo ode sangue. Jesus não camuflou a morte com prazer, com a curtição da vida. Ele chegou a escandalizar seus discípulos dizendo que iria morrer e ansiava por isto. E seus apóstolos não entendiam como um homem que acalmava os ventos e a tempestade não tinha o poder para escapar da morte fosse por qual meio esta viesse. Jesus não ilude seus discípulos. Não nega o sofrimento, as dificuldades que os homens terão todos os dias. Mas Jesus acreditava no triunfo sobre a morte. Ele anunciava a força da vida. [Esta vida que não é biológica, material,  mas é uma vida que não se desgasta. E só Jesus trouxe a solução para morte. Poderiam dizer que Jesus trouxe a ilusão de um vida após morte. Mas o que mundo oferece também não seria ilusão maior? Num leito de uma hospital em fase terminal que pensamento terá mais conforto a um doente? Que depois de terríveis sofrimentos tudo terminará em nada? E que desejo terá um descrente perante a morte senão morrer. Por isto insistem tanto na eutanásia. Os que vivem tão somente para este mundo são derrotados antes de morreram. Já estão  mortos na alma  a espera da morte no corpo. Verão que os prazeres pelos quais vieram não  o salvarão. Que dinheiro pelo qual mataram, enganaram, não  o acompanhará. Só resta para estes o nada absoluto, a destruição completa. Neste aspecto o cristão recebe o conforto da fé. Por isto houve tantos cristãos que sorveram ate a ultima gota  o cálice do sofrimento em uma doença ou na perseguição. Santos que abnegados assumiram a doença de seus corpos mortais e foram mais fortes do que a morte. E houve ate muitos que abriram mão de sua vida em favor da vida de um desconhecido. Temos o exemplo gritante de São Maximiliano Kolbe que morreu para salvar um pai da família.
         Quem não aceita a  uma vida eterna nunca compreenderá como Jesus pode ser dito salvador. Pois o mistério da redenção só faz sentido a luz da vida futura ou  da possibilidade de perder-se para sempre. A mentalidade moderna abomina o inferno. Embora muitos terminem esta vida que para eles se resume apenas a este mundo, num verdadeiro inferno. Vivem o inferno sem esperança alguma de céu. E procuram o céu em bens materiais  e prezares que nunca conseguirão levar consigo. 
         A modernidade simpatiza mais com um cristianismo materialista, cuja missão seria instalar um  Reino de Deus (Marxista cubano chinês) na face Terra.  Faz de Jesus um Che Guevara judeu e outra corrente faz de Jesus uma terapia para suportar o peso da vida. Jesus é o que livra da dor e do sofrimento. E esquecem que Jesus assumiu a cruz e nunca enganou seus discípulos. No mundo terão perseguições  e sofrimento, mas eu venci  o mundo. Verdadeiramente a mente que vence o mundo é  aquela que crer na Vida Eterna e ao mesmo tempo enfrenta o sofrimento,. Não nega a  morte. Sabe que vive num mundo imperfeito e de pecado,. Mas com Jesus e por Jesus carrega  SUA CRUZ DE OLHOS FIXOS NA RESSURREIÇÃO E NA GLORIA CELESTE. 
          Só há uma saída para a modernidade. Assumir o cristianismo puro, que Jesus trouxe e pelo qual morreu e triunfou da morte. A  vitória do Espírito sobre a corrupção da  matéria e a realidade da vida eterna. É acreditar que nenhum sofrimento é em vão, que nenhuma perda é sem sentido e que para nos livrar da morte e do inferno, é que existe um Deus que nos ama, ao ponto de nos deixar tão livres  como ele mesmo. Um Deus que não foi um carrasco condenado o filho inocente à morte, mas que se fez  um parceiro; que entrou no mundo e na historia para experimentar o sofrimento que fez possível  para suas próprias criaturas, ao querer cria-las livres e com a possibilidade de dizer não ao seu amor. Realmente, nenhuma sociedade do mundo seria capaz de conceber um Deus  assim. DEUS É AMOR.

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