sábado, 24 de março de 2012

SER Igreja ou SER DA Igreja?

"Novo jeito de sermos igreja, nos buscamos ó Pai na tua mesa..."

Muitas vezes ouvi e cantei este hino na hora da Santa Comunhão. Agora, depois de ler em vários livros e até ouvir que devemos SER IGREJA, veio à minha mente a comparação que o Apóstolo São Paulo faz da Igreja com um corpo humano. 1º Carta aos Coríntios capitulo 12, 12-27. Seria correto uma parte do corpo afirmar EU SOU O CORPO TODO? Mesmo a cabeça que é  fundamental para a existência do corpo, poderia existir sem os membros para comandar? Se assim fosse, não seria o corpo mas também parte do mesmo.  Da mesma forma um membro da Igreja não pode ele mesmo se identificar como sendo Igreja.
Próxima desta idéia de corpo é também a comparação que Jesus faz dele mesmo, com a videira no Evangelho de São João  capítulo 15, 1-8. A videira e a  árvore cujo os frutos são as uvas. Esta possui ramos que se espalham por todos os lados e são sustentados pelo tronco, que fica como que escondido pela ramagem. Não seria lógico um ramo dizer: Eu sou a videira. Jesus disse ser ele mesmo a videira, mas inteira com ramos e  tronco e o Pai, o agricultor. Mas nesta árvore, há ramos que produzem furtos e os que não produzem. Estes, ramos improdutivos serão cortados e lançados ao fogo, mas eles mesmos sem darem frutos fazem parte da árvore. Então, nem  os ramos e nem o tronco pode afirmar que individualmente ser a videira; como em São Paulo, um membro do corpo não pode dizer que é o corpo inteiro. Quando anunciam, escrevem e dizem, que devemos ser Igreja, na verdade estão divulgando a doutrina sobre a Igreja inventada por Lutero. A de uma Igreja Invisível, não institucional, que compreenderia os crentes isolados e na verdade  seria identificada com os que tem a fé e fé também no sentido luterano, de confiança absoluta, não no poder de Jesus, que todos nós devemos ter, mas no sentido que Jesus, já fez tudo por nós. Encerrou a nossa salvação ao nos livrar da pecado e que a partir do momento em que eu creio que Jesus morreu por mim, eu estou salvo. E  nunca me perderei, a não ser é claro que venha a perder esta fé. No protestantismo não se perde a salvação pelos pecados, porque se você pecou confessou a Deus o pecado, ainda possui a fé. Doutrina muito cômoda e fácil para ser a de  quem disse que estreito é o caminho da salvação e que devemos NOS ESFORÇAR  para entrar nele. Mas se perde  a fé ao sair da denominação a que pertence, das inúmeras igrejas que fundaram, para estes o individuo perdeu a fé, ou apostatou e então está perdido.  Bem diferente da doutrina Católica. A Igreja é uma organização visível com governo visível, na pessoa do sucessor do Apóstolo Pedro, os bispos de Roma, os papas; e desde os tempos dos apóstolos até aos nossos dias tem  a mesma doutrina e anuncia a palavra de Deus pela tradição recebida dos apóstolos e pelas Sagradas Escrituras.A  Igreja  é entendida como corpo e como organização social daqueles que  que  crêem. Não é   SER IGREJA, porque a parte não é o todo. Mas o ideal é ser um BOM FILHO DA IGREJA DE DEUS, aquela igreja que ele adquiriu pelo seu próprio sangue  e que é constituída de bispos (Atos 20,28) e de inúmeros ministérios como afirma o apóstolo São Paulo na mesma Carta aos Coríntios capitulo 12, versículo 27. Também pertencem a esta Igreja, os filhos improdutivos, como os ramos da videira que não produzem frutos, mas nem por isso deixam de ser ramos desta videira única, que é Cristo. Assim como um membro doente do corpo não faz perecer todo corpo ou transforma um corpo em outro. Neste caso a árvore continua sendo boa, porque é uma arvore de frutos bons; só que como é normal na natureza, alguns se estragam ou há galhos sem frutos. Por isso a Igreja não pode jamais ser Santa e pecadora ao mesmo tempo. Seria a mesma coisa que ser videira e espinheiro ao mesmo tempo e isto é uma aberração da natureza. Um corpo é sempre o mesmo quer tenha membros sadios ou membros doentes.
Disfarçadamente, está sendo usado por pessoas da Igreja, expressões protestantes. Percebe-se que no canto acima se referem  à Santa Comunhão do corpo e Santa de Cristo como a tua  Mesa. Para aproxima-la da expressão luterana e calvinista de CEIA DO SENHOR. Para nós católicos não há mesa. Há o altar do sacrifício, pois toda a missa do começo ao fim é o sacrifício único de Cristo, que culmina na consagração do pão e do vinho e do corpo do Senhor. Se poderia chamar de ceia apenas a parte em que os fiéis recebem o corpo de Cristo, o próprio Cristo Ressuscitado, inteiro, corpo e sangue. Porem, o mais correto e mais claro é se referir a esta parte  como sempre foi pregado e ensinado: A santa comunhão. Pois como diz São Paulo, não sabeis que quem recebe o pão comunga o corpo de Cristo e quem recebe o vinho comunga com o sangue de Cristo? 1Cor 10,16 Por meio das espécies aparentes de pão e vinho, nos unimos ao Senhor e formamos com ele um só corpo.1Cor 1o, 17. Então somos membros deste a corpo que é  a IGREJA. E não há  novos modos de ser Igreja. Já que a Igreja é como Cristo, sempre a mesma ontem hoje e sempre. (Hb. 13,8) Uma parte jamais poderá indicar o todo. Certo, que muitas vezes, nós católicos, nos referimos à Igreja como se não fizéssemos parte dela. Entendendo-a apenas como os bispos, os padres e religiosos. Por causa  disto,  ouvi em muitos encontros: Você é a Igreja. Aceitável, apenas no sentido de que eu FAÇO parte deste corpo que é a Igreja. Eu mesmo! Um membro pequeno, sem muita importância, mas sou parte deste corpo, assim com uma simples e  até de certa forma dispensável unha, (embora ninguém queira perder nem se quer uma unha do seu corpo), faço parte da Igreja. Nunca no sentido protestante de que a Igreja sou eu, o individuo crente  e a Bíblia. Compreendendo a Igreja, como uma  assembléia flutuante de "crentes" mas não como Instituição visível, como  uma organização hierárquica. Nesta todos são iguais  e os nomes que as identificam são como rótulos de produtos comerciais. Por isso há tantas e até com Slogan: "...O lugar onde os milagres acontecem" e tantos outros. As doutrinas e costumes mudam de uma para a outra. A única coisa que tem em comum é a Bíblia, mas a interpretação variada de uma denominação para outra, os divide. Basta comparar pentencostais com presbiterianos e batistas.
Você não encontrará em nenhum cartório o CNPJ da Igreja Católica. Porque esta não tem um CNPJ. Poderá encontrar sim, o CNPJ da Paróquia Nossa Senhora da Conceição ou da Arquidiocese de Fortaleza. Mas da Igreja Católica jamais. A Igreja tem inúmeras instituições , porém como  sociedade de fé, não é uma empresa. Por isto não tem CNPJ. Mas as denominações protestantes todas elas precisam de CNPJ. Na verdade, segundo uma revista de grande circulação é muito fácil abrir uma "igreja" no Brasil. Basta um pastor carismático e os documentos exigidos. 
Você nunca ouvirá um padre falar: NA MINHA IGREJA, ao se referir a Igreja Católica. Ele poderá dizer, na minha paróquia não há mais espórtula para os sacramentos, gesto louvável e admirável, de um padre em uma paróquia do interior cearense. Mas um pastor dirá quantas vezes quiser: "Na minha Igreja não admito bateria" porque na verdade a "igreja" é mesmo dele. Foi criada por ele. Registrada por ele. É uma empresa com fins religiosos.
Só na Igreja Católica somos membros  da Igreja. Pertencemos a uma entidade mil vezes maior do que nós mesmos. Maior no tempo, no espaço e na história. É nosso dever sermos bons filhos da Igreja e pedir ao Senhor para morrer,  dizendo como Santa Teresa de Jesus:"enfim, MORRO COMO FILHA DA IGREJA."

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