segunda-feira, 31 de março de 2014

IDENTIDADE DOS IRMÃOS DE JESUS




         Os Evangelhos citam várias vezes os chamados irmãos de Jesus. E Paulo em duas de suas Cartas. Gl. 1, 19, identificando  Tiago como o irmão do Senhor e em 1Cor 9,5 se refere aos irmãos do Senhor. A  principio seria este um forte argumento para negar a verdade de fé, defendida pela tradição católica e ortodoxa, de que Maria só teve um filho: Jesus. Mas apesar destas referencias aos irmãos de Jesus prevaleceu fortemente a convicção de que Jesus é o único filho de Maria Virgem. Estes irmãos de Jesus são entendidos como parentes de diversos graus, como tios e primos.
         Mas iniciar um debate para provar que os ditos irmãos de Jesus, são seus parentes porque o aramaico não tinha uma palavra especifica para primos e tios ou parentes, é começar a entregar o outro ao bandido. Pois este argumentará que tendo sido escrito em grego, os quatro Evangelhos, o grego tinha palavras especificas para primo, sobrinho e tio. Como  o faz Paulo em Cl 4, 10 chamando Marcos primo (ou sobrinho ) de Barnabé.
         Devemos iniciar a argumentação mostrando que dois destes citados irmãos de Jesus tem outra mãe que não é a mãe de Jesus. No Evangelho de Mateus 13, 55-56 São citados quatro ditos irmão de Jesus: Tiago, José Simão e irmãs sem serem nomeadas.  Mas no mesmo Evangelho é mencionada uma outra Maria mãe de Tiago e José que veem Jesus na morte. A sequência dos nomes mostra que se trata do mesmo Tiago  e José  citado no capitulo 13, 55 e esta Maria não é identificada como Mãe de Jesus.  

Entre elas se achavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu. (Mt 27,56)
          
          Em Marcos capitulo 6,1-2 são apresentados os mesmos irmãos de Jesus, sendo que José é escrito como Joset ou Josephe conforme muitos manuscritos. É assim que a Bíblia de Jerusalém traduz e a Bíblia TEB. (Tradução Ecumênica da Bíblia) E o mesmo Marcos identifica estes dois nome como Filhos de uma outra Maria no capitulo 15,40  citado as mulheres que estavam olhando a morte de Jesus.  a grafia Joset aparece da mesmo forma como em Marcos 6, 1 mostrando que é a mesma pessoa.
Marcos 15, 40 Estavam ali também algumas mulheres observando de longe, entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José,( ou Joset) e Salomé;
         O Evangelho de João identifica esta Maria como irmã da mãe de Jesus  e esposa de Clopas. Na maioria das traduções estavam junto a cruz de Jesus três mulheres: Maria, a mãe de Jesus, a irmã dela, também chamada Maria e esposa de Clopas e Maria Madalena. Esta Maria sem duvida é a mesma citada em Marcos e Mateus e que Lucas cita como mãe de Tiago. Não é a mãe de Jesus como algumas notas de Bíblias protestantes mostram, mas pelos admitem que o Tiago e José de Mc 6, 1s é o mesmo citados como filhos desta Maria.

         Considerando que pelos  menos dois  irmãos de Jesus tem  outra mãe, só resta um explicação. O termo irmãos foi usado no sentido hebraico e aramaico de parentes em geral mesmo no grego. Assim como fez tradução do Hebraico para o grego  chamada dos Setenta  ou Septuaginta nas seguintes passagens:

Gn 14,12.14 – Irmão = sobrinho.
Lv 10, 4  e 1cr 23,21 = Primos.
2Cr 36, 10 = Tio.
Parentes em Geral: Gn 29,12. 15;  Gn 13, 8; Rute 4,3; 
         E quanto a Maria não haver tido outros filhos observe-se que só Jesus em Marcos 6, 1s é dito o carpinteiro, o Filho de Maria. Que o discípulo amado levou a mãe de Jesus pra sua família quando Jesus morreu. Onde estavam as irmãs de Jesus que abandonaram a mãe delas nesta hora e os  seus  outros filhos?
         Jesus aos doze anos vai a Jerusalém para festa da Páscoa só com Maria e José. (Lc 2, 41-42) Eles o procuram entre parentes e conhecidos e não entre os irmãos. (2, 44) Estes parentes são os irmãos citados por Marcos e Mateus. Se Maria tivesse filhos menores ou estivesse grávida não teria ido todos os anos a esta festa que só era obrigatória para os homens.
         A Igreja está correta em afirmar que os Evangelhos não dão nenhuma prova de que Maria teve outros filhos além de Jesus. E se cremos  que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo é normal que Maria e José, perante tão  grande mistério, único na história, tenham decidido viver um matrimônio real, mas casto para encobrir o mistério o de Cristo.
Prof. Francisco Silva de Castro

domingo, 30 de março de 2014

Recebemos um Deus vivo!



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Nossa comunhão pelo sacramento do corpo e sangue do Senhor é com Cristo vivo e ressuscitado. Não recebemos um  em sangue e nem um sangue sem corpo. Por este motivo não se faz necessário receber as duas espécies na comunhão. O pão é o vinho. Eles são apresentados separados indicar a morte real de Jesus. Por  isto o padre consagra pão e vinho e comunga sob as duas espécies. Mas os fies recebem  pão e vinho transformados no corpo e sangue do Cristo ressuscitado. E recebem Cristo inteiro quer sob uma espécie ou sob outra.

Para aqueles que não creem na presença real do Senhor sob as aparências de pão e vinho, fazem questão de receber as duas espécies, pois para estes, pão é apenas pão e ele faz de conta que é o corpo do Senhor, E vinho é apenas vinho e ele faz de conta que  o sangue do Senhor. Na verdade recebem um Cristo morto porque um corpo sem sangue está morto e um sangue sem corpo também irá morrer. Nós, que cremos na transformação do pão e do vinho em verdadeiro corpo e sangue do Cristo vivo e ressuscitado recebemos um Deus vivo e que pode nos transformar em sua própria imagem. Gloria a Cristo porque ele nos deu a si mesmo. Gloria a Cristo na Sagrada comunhão do seu corpo e sangue.

terça-feira, 25 de março de 2014

Revelações do Anuncio do Arcanjo a Maria







         A liturgia da Igreja Católica celebra no dia 25 de Março de cada ano, a Solenidade da Anunciação do Senhor. É uma festa com absoluta fundamentação bíblica inspirada na narrativa do Evangelho de Lucas,capítulo 1, 26-38. Une de forma incomparável a Mãe e o Filho na mesma Solenidade. Infelizmente não é uma solenidade popular como muitas outras, baseadas apenas em revelações particulares.
       De certa forma podemos afirmar que a narração do anuncio da vinda do filho Deus nos revela a dignidade da Virgem Maria e fundamenta o seu culta na Igreja. Pode até parecer que é muito pouco o que nos é dito sobre a mãe de Jesus em relação ao grande culto prestado a sua pessoa no catolicismo. Mas se nos aprofundarmos no que diz o Arcanjo sobre Maria e o Filho, entendemos que foram as mais importantes revelações sobre uma pessoa na Bíblia.
Gabriel saúda Maria como a Kecharitomene, que algumas traduções protestantes modernas  tem traduzido como "você recebeu um grande favor" ou "você recebeu uma grande honra" tradução que em nada é fiel ao sentido original da  saudação. O termo grego diz em uma só palavra o que é Maria diante de Deus. E em português e outras línguas é praticamente impossível uma tradução literal com uma só palavra deste novo nome dado a Virgem. Por isto a Vulgata latina preferiu traduzir o sentido da saudação e não uma tradução literal, ao traduzi-lo como "Cheia de Graça". Lutero tentou  aproximar-se do sentido literal ao verter  no alemão para Agraciada. De certo  modo correto mas  só se compreendermos Agraciada como A Agraciada ou A Favorecida e não como uma das muitas agraciadas ou uma das mulheres favorecidas por Deus. Maria é única em seu gênero. Ela é a Favorecida desde sempre e só ela e mais ninguém. Ou melhor, os outros o foram de uma forma deferente da dela. Por isto as traduções que se referem ao termo grego como você recebeu um favor ou uma honra estão completamente erradas. 
         Kecharitomene não indica uma favor que se está recebendo mas a real identidade de uma pessoa, no caso Maria. É outro nome para ela. O nome que Deus lhe deu. Pelo fato de ser uma saudação desconhecida entre os judeus, Mara ficou perturbada e sem entender o motivo desta.
     Outra revelação que a Anunciação nos faz é que o Filho de Maria foi gerado dela mesma. E não passou por ela como em um canal. A preexistência do Verbo não impede que Maria seja Mãe por completo. Alguns protestantes creem que Maria é uma espécie de mãe de Aluguel que apenas escondeu o Verbo em seu útero. As traduções antigas são categóricas em dizer que Maria concebeu em seu útero ou ventre. "eis que conceberás em teu ventre..." e o Arcanjo acrescenta. "por isto aquele que nascer de ti..." infelizmente não mais presentes nas traduções atuais. O homem Jesus, a quem se uniu o Verbo eterno desde a concepção  no ventre de Maria, foi gerado sem sêmen, mas do óvulo de uma mulher.  De forma que Maria é tão mãe de Jesus tal e qual nossas mãe são nossas mães. E em virtude de que em nenhum momento o Verbo esteve separado da humanidade de Cristo, sendo ele Deus, Maria é, pela natureza humana do Filho, que veio dela, Mãe de Deus, o Filho. Estas são as admiráveis revelações desta grande festa.

sábado, 8 de março de 2014

O Triunfo de Cristo

"EU, QUANDO FOR LEVANTADO DA TERRA, TODOS ATRAIREI A MIM..."

 

         Diante de um filho de carpinteiro e de uma simples dona de casa, no decorrer da história ocidental, se ajoelharam reis e generais, ricos e poderosos. Sua imagem dominou em riquíssimos palácios e a frente de grandes exércitos e não só nos templos cristãos. E porque homens tão ciosos de seu poder e riquezas adoram um simples carpinteiro? Creio que se voltassem no tempo e encontrasse Jesus na oficina de Nazaré, sujo de pó da madeira, suado e cansado com o trabalho, perguntariam se realmente este seria digno de tanta adoração. Pois veriam um homem comum entre tantos outros. E de uma condição social muito inferior aos poderosos da época dele.
         Mas o motivo desta adoração é que este carpinteiro de Nazaré é reconhecido como o próprio Deus entre os homens. E nada mais próximo a uma divindade do que os reis, os nobres, os que mantêm o poder. No decorrer da historia humana os reis eram considerados como filhos ou representantes dos deuses. Por isto eles não se sentem humilhados em prostrar-se perante a imagem de um  crucificado Jesus é o Deus Todo-poderoso. Sua historia entre os homens como um simples operário é quase com que acidental. Uma espécie de disfarce. De modo que sua condição social de pobre entre os pobres é como que deixada de lado e vista apenas como uma mostra de extrema humildade do mais rico dentre os homens. É por isto que para estas pessoas adorar um Deus que se fez pobre,  e ao mesmo tempo, ser indiferente à pobreza ou até mesmo despreza-la,  não há nenhuma contradição.  Eles só conseguem ver o Deus que se fez homem sempre rico e o homem que era Deus mesmo quando pobre.

         Mas é justamente por sua condição humilde e despojada que Jesus mostra todo seu triunfo. Ele supera as divisões sociais e une ao mesmo tempo, pobres e ricos perante sua pessoa. Porque por sua pobreza os pobres com ele se identificam. E por sua divindade os ricos também se identificam com ele. Porém,  para os ricos existe uma reflexão que estes se esquecem de fazer. Porque o Filho de Deus quis vir ao mundo como um pobre entre os mais pobres? Até mesmo vivendo numa cidade de má fama como Nazaré? Se Ele  poderia ter vindo ao mundo como filho de reis? E ninguém se justifique afirmando que Jesus eram descendente do Rei  Davi, porque descendentes de  Davi na época de Jesus era tão comum com ter o sobrenome Silva  nos dias de hoje,. E, além disto, havia descendentes de Davi ricos e pobres.  O motivo é  que Jesus realmente quis compartilhar do sofrimento e da dura situação dos que nada possuem. Ele quis se identificar com os mais pobres, com os desprezados, como os rejeitados pela sociedade. Mas nunca negou sua condição superior apesar de sua origem humilde Mostrando-se como de fato é, O filho de Deus entre os pobres; atraiu para si pobres e ricos e nos deu uma grande lição de humildade que os ricos ainda precisam aprender. Os pobres são Filhos de Deus e a pobreza não é razão para a indiferença e desprezo de um nenhum  ser humano por outro. O pobre é tão nobre com qualquer outro nobre de nascimento, ou até mais, porque o Filho de Deus quis se fazer pobre como um deles. E desta forma  tornou real sua  profecia. Atraiu todos a ele e fez o maior prodígio social da história. Ter pobres e ricos ajoelhados perante a imagem de um carpinteiro crucificado.