quarta-feira, 29 de agosto de 2012

SANTA JOANA D´ARC E O PROTAGONISMO DO LEIGO


De acordo com o Decreto Apostolicam Actuositatem do Concilio Vaticano II é missão primordial do católico leigo, instaurar na ordem política e social, a doutrina e o senhorio de Nosso Senhor Jesus Cristo."O apostolado no meio social, isto é, o empenho em informar de espírito cristão a mentalidade e os costumes, as leis e estruturas da comunidade em que se vive, são incumbência e encargo de tal modo próprios dos leigos que nunca poderão ser plenamente desempenhados por outros." Dentre muitos santos que serviram a Cristo como leigos, merece maior destaque Santa Joana d´Arc. Não porque é  mais santa do que os outros. Isto pertence a Deus, como disse ela muitas vezes, quando declaravam que o povo a considerava uma santa. Mas pelo seus testemunho da obediência à vontade de Deus, no meio do mundo e no mundo da política e da guerra. Bem no cerne do que é o mais secular, o mais do mundo possível. E além disso, entre homens de guerra, violentos, sem piedade ou religião, acostumados a deixar fluir o ódio, a sede de combate. Ela não se retira do mundo; mas leva ao mundo Deus, como simples leiga pela manifestação do poder de Deus, que se compraz em agir por meio dos fracos e do  que o mundo não valoriza. Sem pertencer a nenhuma ordem terceira e sem estar vinculada a nenhuma espiritualide - e em sua época havia os franciscano e os dominicanos que associavam leigos - ela vive o CATOLICISMO PURO  centrada apenas nos sacramento da confissão, na participação  da missa aos domingos e sempre que possível, da  e na comunhão do corpo e sangue de Cristo, que em sua época era pouco freqüente, e só concedida na época da páscoa. Bem que poderia ser, com toda justiça. proclamada como exemplo de apostolado leigo. E até  ser declarada pradoeira deste apostolado, ou de todos os  leigos, comprometidos com os desígnios de de Deus no mundo. Este apelo faço a Deus, que se for para o bem dos leigos e maior glória da Igreja, Santa Joana d´´ Arc seja um dia, segundo a vontade de Deus, declarada padroeira de todos os leigos, que no mundo anunciam por palavras e obras, o Reinado  sacio-politico de Nosso Senhor  e Salvador Jesus Cristo.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A FÉ

Porque creio DEVO OBEDECER; mas nem sempre obedeço apesar de CRER.

A Fé o dom de Deus, que nos faz aceitar pelo intelecto uma verdade que nos foi revelado, e a obediência é uma adesão de nossa vontade livre a uma ação solicitada.

Não dois tipos de fé. Uma fé verdadeira e autentica que por si mesma produza boas obras e leve a obediência e uma fé falsa que não é verdadeira porque não produz boas obras. Como dom de Deus a fé é uma só e igual para todos. "Há uma só fé..." diz o apóstolo são Paulo. A nossa vontade é que responde de forma diversa perante a fé. Uns obedecem e outros não embora acreditam ambos na mesma verdade ou doutrina.

Jesus nos mostra na parábola dos dois filhos o que a real diferença entre saber e obedecer. Um homem tinha dois filhos. Ambos sabiam ser verdadeiros filhos dele. Ambos estavam cientes que o pai tinha autoridade sobre eles. Só que um era dissimulado e queria apenas agradar o pai com palavras. Disse que ia trabalhar na vinha do pai e não foi. O outro era sincero e falava o que realmente sentia no coração. disse que não ia trabalhar na vinha, mas depois arrependido foi.  O primeiro ficou apenas no nível do intelecto mas não submeteu sua vontade a vontade do pai. O segundo, embora inicialmente dizendo não depois submeteu sua vontade à vontade do Pai. Ambos sabiam ser filhos ambos tinham conhecimento da autoridade do pai sobre eles. Mateus 21, 28-30  Da mesma forma acontece com a fé. Esta é a adesão de nosso intelecto a uma verdade revelada e aceita. Mas a obediência é adesão de nossa vontade a uma realidade também conhecida e aceita. São Tiago define bem a fé como conhecimento e certeza de uma verdade. " Crês que haja um só Deus? Os demônios também e tremem."  Tg 2,19 São Tiago não diz que a fé sem as obras seja falsa ou não exista, mas que esta, sem obras é morta em si mesma, estéril, improdutiva, mas existe porem  sem agir pela caridade. Porque mesmo crendo ainda continuamos livres para aderir com nossa vontade aos mandamento de de Deus. A fé então exige, indica aponta, para a prática das boas obras, mas não as produz necessariamente. Esta  pode ficar sufocado por outros interesses e desta forma improdutiva. Por isto, Jesus diz no Evangelho que seremos julgados segundo as nossos obras e não segundo a nossa fé. Mt 16,27 Porque a fé todos podem ter, mas as obras só terão os que obedecem a Deus por amor.

sábado, 25 de agosto de 2012

IMAGENS E IDOLATRIA


A Adoração é mais uma disposição  mais interna do que externa. Embora se manifeste em atos exteriores como prostra-se, invocar, oferecer sacrifícios; mas  consiste primeiramente num reconhecimento interior da absoluta diferença entre o Ser e o Ente, o existente e num amor absoluto amor para com o Ser que o faz ama-lo acima de tudo. Porque outros formas de homenagem externas, que se faça pelo reconhecimento da autoridade ou dignidade de certas pessoa, isto não em consiste idolatria, Assim protestar-se diante do rei, por considerar sua realeza, inclinar-se e beijar as mãos do sacerdote, por considerar a sua dignidade de servo de Deus, homenagear com carreata um campeão esportivo ou uma miss Brasil, por reconhecemos a sua vitória, isto não consiste em idolatria, realizar um rito fúnebre  num enterro de um Chefe de Estado o autoridade religiosa, não é idolatria , pois nestes casos não a identificamos com Deus, a  quem cumpre adorar no pleno sentido da palavra. O mesmo deve se afirmar em relação às imagens de Jesus, da Santa Virgem e dos santos. Se comprarmos uma imagem acreditando que ao possuí-la teremos algum poder sobre aquele santo ou santa, isto é idolatria; Se acreditamos que determinada imagem tem mais poder do que outra que represente o mesmo santo, isto é idolatria. Se venerarmos uma imagem por ela em si mesma, apenas porque é imagem de um santo e a chamamos esta imagem de  santo o santa, com se ambos fosse a mesma coisa, isto é idolatria. Mas se a veneramos ou a homenageamos porque reconhecemos que aquela imagem, testemunha diante de nós, que aquela pessoa testemunhou Cristo Jesus perante os homens e que por isto Jesus deu testemunho dela perante Deus e seus santos anjos, então não  estamos adorando, colocando-a no lugar de Deus o de Cristo. Pelo contraio, reconhecemos naquela imagem a representação de  um verdadeiro Adorador de Deus e um fiel cristão. Por isto é de fundamental importância, primeiramente conhecer a vida do santo e o que ele fez para que merecesse ser colocando como testemunho de santidade. Se acreditarmos que por termos a imagem de um santo ficaremos livres de determinada doença ou seremos protegidos contra certos acontecimentos, isto é superstição e pode até mesmo se tornar idolatria. Mas se a imagem do santo, do qual conhecemos a vida, serve para nos fazer lembrar o seu exemplo de fé em Jesus e sua perfeita obediência a ele e  que o mesmo está no céu intercedendo por nós, então prestamos a este,  o culto de veneração que a Igreja autoriza e não caiamos na Idolatria.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SANTA JOANA D´ARC E A REALEZA SOCIAL DE JESUS


        Santa Joana d´Arc não escreveu nada sobre a realeza social de Jesus. Foi através de sua missão e  pelo testemunho de sua vida que ela anunciou que Deus é o Senhor da História e a Ele pertencem todas as nações da Terra. Porque tudo o Pai entregou ao Filho sujeitando a Ele todos os povos e não apenas os indivíduos.
        Para Santa Joana d´Arc, o rei francês dever reinar sobre todo o Reino da França porque Deus assim o decidiu. É isto o que ela diz a ele quando o encontrou: "Meu Senhor (Deus)  é o verdadeiro Rei da França. Mas ele quer que vos, gentil Delfim, sejas Sagrado rei e  se torne lugar tenente do Rei dos céus no Reino da França."  O Rei recebe o poder de reinar primeiramente, não por ser descendente de reis; os ingleses por este aspecto também tinham direito ao reino da França, já que o pequeno Henrique VI, era neto do pai de Carlos VII, filho de uma irmã dele. Mas porque o Rei do Céu assim o determinara. Diz a Sagrada escritura: "Todo o poder vem de Deus e não há autoridade que não tenha sido constituída por Deus." E o próprio Jesus confirma a Pilatos em seu julgamento: "Nenhum poder terias sobre mim se do Alto não te fosse dado.”.
        A Realeza Social de Jesus, verdadeiro e único rei por direito e conquista, não implica numa mistura do poder temporal com o espiritual. Não significa que padres sejam governantes, como o foi o Padre Diogo Antônio Feijó, Regente no Brasil durante a menoridade do imperador D. Pedro II, ou os cardeais Richelieu na França. E  muito menos que os governantes exerçam  poder eclesiástico, aprovando encíclicas papais, indicando bispos, criando dioceses, executando hereges. De forma alguma. Num Estado subordinado à Cristo a esfera política é amplamente autônoma em relação às atividades administrativas como segurança, economia, infraestrutura... E a Igreja plenamente livre  em relação ao apostolado e  à instrução na fé católica. Mas, no que se refere a leis, o Estado deve seguir primeiramente e acima de Tudo a lei de Deus, expressa nos dez mandamentos e o código ético de Jesus resumido no Sermão da Montanha, capítulos 5 a 7 do Evangelho de São Mateus. Favorecer a difusão da verdadeira Igreja; facilitar e  guarda do domingo e dos dias santos; coibir à promiscuidade sexual, a impiedade, a ganância e a corrupção, que impede a muitos de viverem em conformidade com   a dignidade de filhos de Deus.
        A Igreja tem a missão de acompanhar ensinando o Evangelho de Jesus, intensificando a honestidade, a partilha entre os irmãos da fé e acima de tudo, render glória a Deus através do  único culto público aceitável por Deus. O Santo sacrifício da missa. Pois todas as outras manifestações religiosas, como procissões, missões e congressos de Evangelização ou catequese, estão de certa forma vinculada ao mistério da Redenção vivido na Santa missa e dela retiram seu valor e divindade. 
        Por isto, Santa Joana d´Arc logo após a vitória  que livrou Orleans (cidade ocupada) pelos ingleses, insistiu que o Rei fosse sagrado na catedral por um bispo da Igreja. Este ritual significava aprovação publica por Deus do verdadeiro rei dos franceses. Ela não pensou politicamente nesta hora e nem militarmente. Qualquer outro governante teria deixado a sagração  só para depois de  expulsar todos invasores da França. Mas Santa Joana sabia que o espiritual tinha precedência e mais importância do que o material. Nesta ocasião ela pediu ao Rei que entregasse ao Rei dos Céus, todo o Reino da França, para depois adquiri-lo e administra-lo como um servo colocado por Deus a serviço dos outros. Foi também por respeito a esta autonomia, entre o político e o religioso, que a mesma santa nunca contou a padres  ou exigiu aprovação eclesiástica para  no que dizia respeito à suas visões. Não deveria envolver a Igreja de Cristo em disputas políticas entre dois reinos cristãos. No que dizia respeito à sua fé, aos artigos do credo, a obediência ao papa, ela com sempre afirmou, ser uma boa crista e  que amava a Igreja com todas as suas forças. Mas no que se referia à sua ação política em favor da França, ela submetia-se apenas a Deus, porque só  ele a mandou agir e era a Ele que Ela devia prestar contas de sua ação militar. No caso, seria dever da Igreja esforçar-se pela união entre os dois reinos. O da França e o da Inglaterra e não tomarem partido, dividindo dois reinos cristãos e se aproveitarem materialmente disto. A própria Joana, agiu pela paz quando ordenava aos ingleses que voltassem para Inglaterra, porque esta era ordem de Deus. Se os clérigos franceses, partidários do invasor, tivessem ficado ao seu lado e os da Inglaterra também, não teria havido tanta guerra e muito sangue teria sido poupado.
        Hoje há uma corrente na Igreja que tem verdadeiro horror a união entre a fé e o Estado. Religião é coisa para se viver entre as quadros paredes de dois prédios: A casa e a Igreja. Se for além disto é teocracia medieval tirânica segundo estes. E o Estado deve ser neutro em questões religiões, mesmo as de caráter moral e ético. Embora formado por governantes que se dizem católicos, enquanto políticos não podem obedecer ou adorar deus nenhum ou adorar a todos, o que da no mesmo. Só em  nossa época um Governante católico e fiel  seria obrigado a  fazer como o Rei da Bélgica. “Ter que renunciar por um dia  o trono para ser fiel à sua fé e à sua consciência e não sancionar a  lei que implantava o aborto naquele país; também  o príncipe de Liechtenstein ter que arriscar a  perder o trono por vetar uma lei que permitia o aborto.” Em setembro de 2011, antes de uma votação nacional sobre a descriminalizarão do aborto, o Príncipe Alois anunciou que, se os eleitores aprovassem a medida, ele usaria de sua autoridade para vetá-la."  (fonte: Frates in Unum) Enquanto a antiga e cristã Espanha, sancionou  o aborto pelas mãos de um rei que ainda se diz católico. Não se pode servir a dois senhores que estejam em contradição sobre uma questão ou visão de mundo. Podemos sim, servir a um Senhor que reconheça a soberania dele de outro Senhor. E É isto que significa a subordinação  do Estado a Deus e a Cristo Rei. Pois para sito Jesus foi constituído Senhor dos Senhores, porque houve e deve haver senhores neste mundo subordinados a Cristo. Que ajam com católicos em casa, no gabinete, nas praças em todo lugar. Fo esta a mensagem que Santa Joana d´Arc deixou por sua vida e missão, para nós. Cristo é Rei não  só das pessoas. E seu Reino não é deste mundo, porque ele não o  recebeu de pessoas deste mundo por hereditariedade, mas o é para este mundo e para os homens deste mundo. Se assim não fosse ele não teria nos ensinado a pedir "Venha a nós o vosso reinado" mas sim "levai-nos  para o vosso Reino."
        Na Igreja há uma vertente que defende enuncia o Reino de Deus. Chamam também projeto de Deus. Mas  esta tem pavor de que neste reino haja um REI. Rei eterno, rei para todos os séculos e que  Reine sobre papas, bispos, padres e chefes de Estado e governos. Verdadeiro Senhor das nações, Para este grupo o Reino de Deus tem algo comum que riqueza para todos, liberdade absoluta para todos, crença igual para todos, porque todas as religiões são verdadeiras ou afinal de contas não levam a nada mesmo e servem apenas para nos consolar neste mundo de dores e que o homem seja o fim ultimo o  absoluto de todas as suas ações. Conhecedores por si mesmo do bem e do mal. Na verdade, querem o Reino do homem sobre o homem e livre da lei de Deus. Distorcem as palavras de Jesus, que pregou o amor ENTRE OS CRISTÃOS e entendem que este amor é para os que desobedecem a lei de Deus, para os abortistas, para os que querem o fim da família pelo sexo livre, pelo divorcio, pela promiscuidade sexual. Que ao final de contas todos os deuses são bons e bem-vindos.  Este não é o reino de Deus e nunca foi isto que o Espírito disse às Igrejas. Na verdade o Espírito diz sempre à Igreja: "Vem Senhor Jesus." É este  o brado da Igreja, esposa de Cristo que como Santa Joana d´Arc ,tem a missão de anunciar e conduzir os povos a Cristo reis dos Reis.

domingo, 19 de agosto de 2012

A ASUNÇÃO DE MARIA INDICA A RENDENÇÃO DE NOSSO CORPO



 No Brasil,  a Solenidade da Assunção de Maria ao Céu,  é celebrado no primeiro domingo depois do dia 15 de Agosto, se  o mesmo não cair em um domingo. Neste  ano de 2012, no dia 19 de Agosto. Abaixo um trecho da Encíclica, em que o papa Pio XII, definiu esta doutrina como dogma de Fé e seu significado para nós.

 


"...É de esperar também que todos os fiéis cresçam em amor para com a Mãe celeste, e que os corações de todos os que se gloriam do nome de cristãos se movam a desejar a união com o corpo místico de Jesus Cristo, e que aumentem no amor para com aquela que tem amor de Mãe para com os membros do mesmo augusto corpo. E também é lícito esperar que, ao meditarem nos exemplos gloriosos de Maria, mais e mais se persuadam todos do valor da vida humana, se for consagrada ao cumprimento integral da vontade do Pai celeste e a procurar o bem do próximo. Enquanto o materialismo e a corrupção de costumes que dele se origina ameaçam subverter a luz da virtude, e destruir vidas humanas, suscitando guerras, é de esperar ainda que este luminoso e incomparável exemplo, posto diante dos olhos de todos, mostre com plena luz qual o fim a que se destinam a nossa alma e o nosso corpo. E, finalmente, esperamos que a fé na assunção corpórea de Maria ao céu torne mais firme e operativa a fé na nossa própria ressurreição."




CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO PAPA PIO XII
 MUNIFICENTISSIMUS DEUS
 DEFINIÇÃO DO DOGMA DA ASSUNÇÃO
DE NOSSA SENHORA EM CORPO E ALMA AO CÉU

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

MARIA ELEVADA AOS CÉUS: IMAGEM DA IGREJA TRIUNFANTE




        Na Face de Cristo resplandece a glória de Deus.( 2Cor 4,6) Na face de Maria, elevada em corpo e alma aos céus, podemos dizer que resplandece toda a glória da Igreja triunfante. Maria é o mais perfeito e mais agraciado dentre os filhos da Igreja. Se pela fé e pela graça, nos tornamos membros da Igreja de Cristo, Maria foi a a primeira a crer em Cristo e a servi-lo. O mesmo Jesus diz: "Se alguém me servir meu Pai que está nos céus, o honrará." (Jo 12,26)) A primeira servidora do Filho de Deus, foi a jovem esposa de José, Maria de Nazaré. Não só pela maternidade biológica, mas pelo consentimento na obra redentora de seu Filho. Ela ouvia com atenção tanto o que se dizia sobre ele, como o que ele dizia e guardava tudo em seu coração. (Luc 2, 19.51)
        Se Jesus como profeta e sacerdote, coloca o amor a Deus acima dos laços maternos, para nos dar ele mesmo, o Exemplo do maior mandamento da Lei. "Amar a Deus de todo coração, de toda alma e de toda a tua  inteligência"(Lc 10, 27) que a Igreja resumiu para o "Amar a Deus sobre todas as coisas" inclusive mais do que pai e mãe. (Lc 14,28)
Como Rei,  Ele veio para cumprir e fazer cumprir a Lei. Então, Ele tinha como obrigação, honrar aquela que  o gerou e o  pôs no mundo. O mesmo Jesus defendeu perante os fariseus o mandamento de honrar pai e mãe. (Mc 7,10-12)  Durante a Terra Jesus colocou-se inteiramente à serviço de Deus e rompeu com os laços familiares; (Lc 8,19-21) inclusive  em relação à sua mãe. Mas nos céus, entronizado por Deus como Rei dos reis e Senhor dos Senhores, Jesus trouxe para a sua direita a Escrava do Senhor. Assim o quis Deus Pai, pois o mesmo permitiu que a mãe  do Filho, visse toda a dor e ignomínia do Filho pregado na cruz; justo era que visse no céu toda a glória que o Pai concedeu ao Filho, que fora gerado em seu seio materno conforme anunciara o anjo. ( Lc 2,21) De tal forma que as palavras de Gabriel Arcanjo na anunciação, tornaram-se realidade na Assunção de Maria. Pois Ela contempla em pessoa, toda a glória do Filho Eterno de Deus que dela recebeu a nossa natureza humana.

Para os protestantes, a Assunção de Maria aos céus, a não corrupção de seu corpo na Terra, é uma blasfêmia e uma heresia. Como se Jesus não tivesse o poder e nem a vontade de eleva-la ao céu. O que o impediria?  Seria ele injusto, por levar sua mãe aos céus e deixar todas as outras mães da história no solo da terra? Por certo que não. Deus não poderia negar a Maria o que concedeu e concederá a outras pessoas. Sabemos pela mesma Bíblia que Elias e Henoc não morreram. De Henoc se diz que Deus o levou e de Elias que subiu ao céu num carro de fogo. (Gn. 5,24;Hb11,5 ;2Rs 2,1-11) Se tiverem que morrer será no final dos tempos e também serão logo arrebatados, sem tempo para a  corrupção do corpo. Os protestantes crêem no arrebatamento da Igreja conforme o descreve o apóstolo Paulo na  1ª carta aos Tessalonicenses capitulo 04, versículo 17. Os que forem arrebatados não sofrerão a corrupção do corpo. Estes não se farão pó, pois não haverá mais tempo para isto. Eles aceitam que pastores e suas mulheres crentes não se corrompam no dia do arrebatamento, mais não admitem que o Filho de Deus tenha preservado o corpo puríssimo de Maria de apodrecer na Terra. Deus mesmo permitiu que muitos corpos de santos ficassem incorruptos e sem mau cheiro. Porque permitiria que a Arca  viva do Verbo feito carne, apodrecesse e se desmanchasse em pó? Poderia Jesus ser o mais amoroso  dos filhos e o maior modelo de filho a ser seguido, se negasse à sua mãe a glória dos céus em corpo e alma? Por certo que não. Maria está à direita do Rei toda coberta de outro de Ofir, como diz o salmo em figura, referindo-se à mãe  do Messias Rei (Salmo 45,10) Maria é a verdadeira Arca da Nova Aliança, pois não carrega em si  a lei em tábuas de pedra, mas o autor da Lei, o Verbo eterno de Deus como indica o livro do Apocalipse 11,19, e no salmo 132,8 "Levanta-te Senhor, entra no lugar do teu repouso, tu e a Arca da tua força".
        Importante observar que a Igreja também confessa que ninguém SUBIU aos céus não ser Jesus. Por isto não se diz ASCENSÃO DE MARIA, , mas ASSUNÇÃO, que significa levantamento, ser levado, ser assumido e nas palavras dos "evangélicos" poderia se dizer, ARREBATAMENTO de Maria aos céus; primícias de todos os que serão arrebatados por ocasião da vinda de Cristo.
        Alegremo-nos! Maria foi arrebatada aos céus para nos preceder na glória. Ao contemplar Maria,  a Igreja ver a si mesma, como esposa pura e sem mancha preparada para o divino esposo. (Ap 9, 2; Ef 5,27)) Foi para isto que também que Cristo morreu; para ter uma mãe imaculada e glorificada no paraíso em corpo e alma. Em pessoa. Completa! Mas o fez também porque o fará para cada um de nós se perseverarmos em servimos a ele com humildes servos do Senhor. ( Lc 1,38)

domingo, 12 de agosto de 2012

FRATERNIDADE DAS RELIGIÕES: UMA DOUTRINA PAGÃ

"No poderoso Império da Roma Antiga todos os credos eram bem-vindos, todas as religiões eram respeitadas, e mesmo honradas. No Panteão - o templo de todos os Deuses - de Roma eram encontradas as imagens que simbolizavam os Deuses de todas as nações súditas, e os cidadãos romanos demonstravam reverência a todos. E se uma nova nação entrava na órbita do Império, e se esta nação adorava uma forma de Deus diversa daquelas já cultuadas, as imagens ou símbolos dos Deuses da nova nação-filha eram trazidos para o Panteão da Pátria-Mãe com toda a honra, onde eram entronizados com reverência. Assim, todo o mundo antigo era todo permeado pela idéia liberal de que a religião era um assunto de caráter privado ou étnico, onde ninguém tinha o direito de interferir. Deus estava em toda parte, em todas as coisas; que importava a forma sob a qual era adorado? Ele era um só Ser invisível e eterno, com muitos nomes; que importava o título pelo qual era invocado? A palavra de ordem da liberdade religiosa do mundo antigo ressoa na esplêndida declaração de Shri Krishna: "Por quaisquer caminhos que os homens tomem para se aproximar de Mim, ali mesmo Lhes dou as boas-vindas, pois de todos os lados todos os caminhos são Meus"."

A primeira vez em que a perseguição religiosa manchou os anais da Roma Imperial foi quando o jovem Cristianismo entrou em conflito com o Estado, e derramou-se o sangue de Cristãos, não como sectários religiosos, mas como traidores políticos, e como perturbadores da paz pública. Eles reivindicaram supremacia sobre as antigas religiões, e assim provocaram ódios e tumultos; eles atacaram as religiões que até então haviam vivido em paz lado a lado, declarando que só eles estavam certos, e os outros todos, errados; eles suscitaram o ressentimento por causa de sua atitude agressiva e intolerante, causando distúrbios aonde quer que fossem. E pior ainda, deram origem a suspeitas mais sérias a respeito de sua lealdade ao Estado, ao se recusarem a tomar parte na cerimônia usual de espargir incenso no fogo que ardia diante da estátua do Imperador reinante, e denunciaram a prática como idólatra; Roma viu sua soberania ameaçada pela nova religião, e o mesmo tempo que era largamente tolerante para com todas as religiões, era duramente intolerante contra qualquer insubordinação política. Foi como rebeldes, e não como heréticos, que ela lançou Cristãos aos leões, e os expulsou de suas cidades para que vivessem em cavernas e nos desertos.

Foi essa reivindicação do Cristianismo, a de ser a única religião verdadeira, que deu origem às perseguições religiosas, primeiro do Cristianismo, e depois por ele. Pois enquanto a sua religião é sua e a minha é minha, e ninguém pretende impor a sua religião sobre o outro, não pode surgir nenhum motivo de perseguição. Mas seu eu digo: "Sua concepção de Deus está errada e a minha está certa, só eu tenho a verdade, e só eu posso apontar o caminho da salvação; se você não aceitar minha idéia encontrará a danação"; então, logicamente, se eu pertenço à maioria, devo virar um perseguidor, pois é mais interessante assar heréticos aqui do que permitir que espalhem suas heresias, danando a si mesmo e a outros para sempre. Se, porém, sou da minoria, provavelmente serei perseguido por homens que não tolerarão tão prontamente a arrogância de irmãos que não lhes permitem olhar para os céus senão através de seu próprio telescópio especial."
 

A FRATERNIDADE DAS RELIGIÕES
Annie Besant
Theosophical Publishing House Adyar, Madras, India.
Primeira Edição em fevereiro de 1913 Reimpresso em outubro de 1919.

 A INTOLERÂNCIA CRISTÃ


"...Falam da tolerância dos primeiros séculos, da tolerância dos Apóstolos. Mas isso não é assim, meus irmãos. Ao contrário, o estabelecimento da religião cristã foi, por excelência, uma obra de intolerância religiosa. No momento da pregação dos apóstolos, quase todo o universo praticava essa tolerância dogmática tão louvada. Como todas as religiões eram igualmente falsas e igualmente desarrazoadas, elas não se guerreavam; como todos os deuses valiam a mesma coisa uns para os outros, eram todos demônios, não eram exclusivos, eles se toleravam uns aos outros: Satã não está dividido contra si mesmo. O Império Romano, multiplicando suas conquistas, multiplicava seus deuses e o estudo de sua mitologia se complica na mesma proporção que o da sua geografia. O triunfador que subia ao capitólio, fazia marchar diante dele os deuses conquistados com mais orgulho ainda do que arrastava atrás de si os reis vencidos. A mais das vezes, em virtude de um Senatus-Consulto, os ídolos dos bárbaros se confundiam desde então com o domínio da pátria e o olímpio nacional crescia como o Império.
Quando aparece o cristianismo (prestem atenção a isso, meus irmãos, são dados históricos de algum valor com relação ao assunto presente), o cristianismo quando apareceu pela primeira vez, não foi logo repelido subitamente. O paganismo perguntou-se se, ao invés de combater a nova religião, não devia dar-lhe acesso ao seu solo. A Judéia tinha se tornado uma província romana. Roma, acostumada a receber e conciliar todas as religiões, recebeu a princípio, sem maiores dificuldades, o culto saído da Judéia. Um imperador colocou Jesus Cristo assim como Abraão entre as divindades de seu oratório, como viu-se mais tarde um outro César propor prestar-lhe homenagens solenes. Mas a palavra do profeta não tardou a se verificar: as multidões de ídolos que viam, de ordinário sem ciúmes, deuses novos e estrangeiros serem colocados ao lado deles, com a chegada do deus dos cristãos, lançam um grito de terror, e, sacudindo sua tranqüila poeira, abalam-se sobre seus altares ameaçados: ecce Dominus ascendit, et commovebuntur simulacra a facie ejus. Roma estava atenta a esse espetáculo. E logo, quando se percebeu que esse Deus novo era irreconciliável inimigo dos outros deuses; quando viu-se que os cristãos, dos quais se havia admitido o culto, não queriam admitir o culto da nação; em uma palavra, quando constatou-se o espírito intolerante da fé cristã, é aí então que começou a perseguição.
Ouvi como os historiadores do tempo justificam as torturas dos cristãos. Eles não falam mal de sua religião, de seu Deus, de seu Cristo, de suas práticas; só mais tarde é que inventaram calúnias. Eles os censuram somente por não poderem suportar outra religião que não seja a deles. "Eu não tinha dúvidas, diz Plínio o jovem, apesar de seu dogma, que não era preciso punir sua teimosia e sua obstinação inflexível": pervicaciam et inflexibilem obstinationem. "Não são criminosos, diz Tácito, mas são intolerantes, misantropos, inimigos do gênero humano. Há neles uma fé teimosa em seus princípios, e uma fé exclusiva que condena as crenças de todos os povos": apud ipsos fides obstinata, sed adversus omnes alios hostile odium. Os pagãos diziam geralmente dos cristãos o que Celso disse dos judeus, com os quais foram muito tempo confundidos, porque a doutrina cristã tinha nascido na Judéia. "Que esses homens adiram inviolavelmente às suas leis, dizia este sofista, nisto não os censuro; eu só censuro aqueles que abandonam a religião de seus pais para abraçar uma diferente! Mas se os judeus ou os cristãos querem só dar ares de uma sabedoria mais sublime que aquela do resto do mundo, eu diria que não se deve crer que eles sejam mais agradáveis a Deus que os outros".
Assim, meus irmãos, o principal agravo contra os cristãos era a rigidez absoluta do seu símbolo, e, como se dizia, o humor insociável de sua teologia. Se só se tratasse de um Deus a mais, não teria havido reclamações; mas era um Deus incompatível, que expulsava todos os outros: eis porque a perseguição. Assim, o estabelecimento da Igreja foi uma obra de intolerância dogmática. Toda a história da Igreja não é outra que a história dessa intolerância. O que são os mártires? Intolerantes em matéria de fé, que preferem os suplícios a professarem o erro. O que são os símbolos? São fórmulas de intolerância, que determinam o que é preciso crer e que impõem à razão os mistérios necessários. O que é o Papado? Uma instituição de intolerância doutrinal, que pela unidade hierárquica mantém a unidade de fé. Porque os concílios? Para freiar os desvios de pensamentos, condenar as falsas interpretações do dogma; anatematizar as proposições contrárias à fé.
Nós somos então intolerantes, exclusivos em matéria de doutrina; nós disto fazemos profissão; nós nos orgulhamos da nossa intolerância. Se não o fôssemos, não estaríamos com a verdade, pois que a verdade é uma, e conseqüentemente intolerante. Filha do céu, a religião cristã, descendo sobre a terra, apresentou os títulos de sua origem; ela ofereceu ao exame da razão fatos incontestáveis, e que provam irrefutavelmente sua divindade. Ora, se ela vem de Deus, se Jesus Cristo, seu autor, pode dizer: Eu sou a verdade: Ego sum veritas, é necessário por uma conseqüência inevitável, que a Igreja Cristã conserve incorruptivelmente esta verdade tal qual a recebeu do céu; é necessário que ela repila, que ela exclua tudo o que é contrário a esta verdade, tudo o que possa destruí-la. Recriminar à Igreja Católica sua intolerância dogmática, sua afirmação absoluta em matéria de doutrina é dirigir-lhe uma recriminação muito honrável. É recriminar à sentinela ser muito fiel e muito vigilante, é recriminar à esposa ser muito delicada e exclusiva.
Nós ficamos muitas vezes confusos do que ouvimos dizer sobre todas estas questões até por pessoas de senso. A lógica lhes falta, desde que se trate de religião. É a paixão, é o preconceito que os cega? É um e outro. No fundo, as paixões sabem bem o que elas querem quando procuram abalar os fundamentos da fé, pondo a religião entre as coisas sem consistência. Elas não ignoram que, demolindo o dogma, elas preparam para si uma moral fácil. Diz-se com uma justeza perfeita: é antes o decálogo que o símbolo que as faz incrédulas. Se todas as religiões podem ser postas num mesmo nível, é que elas se equivalem todas; se todas são verdadeiras é porque todas são falsas; se todos os deuses se toleram, é porque não há Deus. E se se pode aí chegar, não sobra mais nenhuma moral incômoda. Quantas consciências estariam tranqüilas, no dia em que a Igreja Católica desse o beijo fraternal a todas as seitas suas rivais!"
 
A intolerância católica* (sermão pregado na Catedral de Chartres em 1841)
Cardeal Pie